Síndrome de Pfeiffer: o que é, sintomas, causas, diagnóstico e tratamento
A síndrome1 de Pfeiffer é uma doença genética rara caracterizada pelo fechamento precoce das suturas2 do crânio3, associado a alterações da face4, das mãos5 e dos pés. O diagnóstico6 combina avaliação clínica, exames de imagem e testes genéticos.
O tratamento é multidisciplinar e frequentemente envolve cirurgias para corrigir as deformidades e prevenir complicações. O acompanhamento precoce melhora a qualidade de vida e reduz o risco de sequelas7 neurológicas, respiratórias, visuais e auditivas.
- O que é a síndrome1 de Pfeiffer?
- Qual é a causa (ou causas) da síndrome1 de Pfeiffer?
- Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome1 de Pfeiffer?
- Quais são as características clínicas da síndrome1 de Pfeiffer?
- Como o médico diagnostica a síndrome1 de Pfeiffer?
- Como o médico trata a síndrome1 de Pfeiffer?
O que é a síndrome1 de Pfeiffer?
A síndrome1 de Pfeiffer é uma doença genética rara caracterizada por craniossinostose, ou seja, pelo fechamento prematuro de uma ou mais suturas2 do crânio3 durante o desenvolvimento fetal. Como consequência, o crescimento normal do crânio3 pode ser comprometido, uma vez que o cérebro8 continua a se desenvolver após o nascimento.
Além das alterações cranianas, a síndrome1 é caracterizada por anomalias dos polegares e dos hálux9 (dedões dos pés), alterações faciais e, em alguns casos, malformações10 de outros ossos do esqueleto11.
Clinicamente, a síndrome1 de Pfeiffer é dividida em três subtipos.
- O subtipo 1 corresponde à forma clássica, geralmente associada a craniossinostose menos extensa, alterações das mãos5 e dos pés e desenvolvimento neuropsicomotor frequentemente preservado.
- O subtipo 2 caracteriza-se por craniossinostose grave com deformidade de crânio3 em folha de trevo, proptose acentuada, hidrocefalia12 e maior risco de complicações respiratórias e neurológicas.
- O subtipo 3 apresenta gravidade semelhante ao subtipo 2, porém sem o crânio3 em folha de trevo, mantendo importante proptose, hipoplasia13 facial acentuada e maior risco de atraso do desenvolvimento.
A síndrome1 de Pfeiffer afeta aproximadamente 1 em cada 100.000 nascidos vivos. Seu nome é uma homenagem ao médico alemão Rudolf Arthur Pfeiffer, que descreveu a doença pela primeira vez em 1964.
Qual é a causa (ou causas) da síndrome1 de Pfeiffer?
A síndrome1 de Pfeiffer apresenta herança autossômica14 dominante, com penetrância15 praticamente completa e expressividade variável. Ela está associada principalmente a mutações nos genes FGFR1 e FGFR2, localizados nos cromossomos16 8p11.23 e 10q26.13, respectivamente.
Esses genes codificam os receptores do fator de crescimento de fibroblastos17 (FGFR), proteínas18 fundamentais para o desenvolvimento embrionário, especialmente na diferenciação e maturação dos osteoblastos e na formação normal dos ossos do crânio3 e das extremidades. As mutações provocam ativação excessiva dos receptores FGFR, acelerando a diferenciação dos osteoblastos e levando ao fechamento precoce das suturas cranianas19 e ao desenvolvimento anormal dos ossos das mãos20 e dos pés.
A maioria dos casos ocorre por mutações novas, embora a transmissão familiar possa ocorrer. Um importante fator de risco21 é a idade paterna avançada, devido ao maior risco de surgimento de novas mutações nas células germinativas22. Quando um dos pais é afetado, o risco de transmissão para cada gestação é de 50%. Homens e mulheres são igualmente acometidos.
Leia sobre "Exame genético", "Cariótipo fetal" e "Aconselhamento genético".
Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome1 de Pfeiffer?
A fisiopatologia23 da síndrome1 de Pfeiffer decorre da ativação constitutiva dos receptores FGFR, que promove diferenciação precoce dos osteoblastos e fusão antecipada das suturas cranianas19. As suturas2 mais frequentemente acometidas são as coronais, embora outras suturas2, como sagital e lambdoide, também possam estar envolvidas.
Nos casos mais graves, especialmente no subtipo 2, ocorre craniossinostose múltipla, produzindo o clássico aspecto de crânio3 em folha de trevo (cloverleaf skull). O fechamento precoce das suturas2 reduz a capacidade de expansão do crânio3, podendo ocasionar hipertensão24 intracraniana, alterações do desenvolvimento cerebral, hidrocefalia12 e malformação25 de Chiari tipo I em alguns pacientes.
A hipoplasia13 da face4 média, principalmente da maxila26, reduz o volume das vias aéreas superiores e favorece obstrução nasal, apneia obstrutiva do sono27 e dificuldades respiratórias. A diminuição do volume das órbitas resulta em proptose importante, aumentando o risco de exposição corneana, úlceras28 de córnea29 e alterações visuais.
A perda auditiva pode decorrer de otites30 médias recorrentes, disfunção da tuba auditiva31, malformações10 do ouvido médio32 e, menos frequentemente, alterações do ouvido interno33.
Além das alterações craniofaciais, as mutações também interferem no desenvolvimento dos ossos das extremidades, originando as alterações características dos polegares, hálux9 e demais dedos.
Quais são as características clínicas da síndrome1 de Pfeiffer?
As manifestações clínicas variam amplamente conforme a gravidade da doença. Os achados mais frequentes incluem:
- craniossinostose envolvendo uma ou mais suturas cranianas19, resultando em deformidades do formato do crânio3;
- hipertelorismo34;
- proptose decorrente de órbitas rasas;
- hipoplasia13 da face4 média;
- nariz35 em formato de bico;
- orelhas36 de implantação baixa ou discretamente malformadas;
- polegares e hálux9 largos, curtos e desviados lateralmente;
- braquidactilia;
- sindactilia geralmente leve, quando presente;
- hidrocefalia12;
- hipertensão24 intracraniana;
- dificuldades respiratórias decorrentes da obstrução das vias aéreas superiores;
- perda auditiva predominantemente condutiva;
- alterações vertebrais, como fusão de vértebras cervicais37 e escoliose38;
- e alterações dentárias relacionadas à hipoplasia13 maxilar.
O desenvolvimento intelectual costuma ser normal na forma clássica da doença. Déficits cognitivos39, quando presentes, geralmente estão relacionados às formas graves, sobretudo quando há hipertensão24 intracraniana prolongada, hidrocefalia12 ou outras complicações neurológicas.
Como o médico diagnostica a síndrome1 de Pfeiffer?
O diagnóstico6 pode ser suspeitado ainda durante a gestação por meio da ultrassonografia40 obstétrica, especialmente quando são identificadas alterações craniofaciais ou das extremidades. A ressonância magnética41 fetal pode complementar a avaliação em casos selecionados.
Após o nascimento, o diagnóstico6 é inicialmente clínico, baseado na combinação das características craniofaciais, das alterações das mãos5 e dos pés e dos achados familiares. A confirmação diagnóstica é realizada por meio de testes genéticos moleculares, preferencialmente utilizando painéis para craniossinostoses ou sequenciamento dos genes FGFR1 e FGFR2. Ao contrário do que ocorre em outras síndromes craniossinostóticas, mutações em FGFR3 não fazem parte das causas clássicas da síndrome1 de Pfeiffer.
A tomografia computadorizada42 com reconstrução tridimensional é o exame de imagem de escolha para confirmar a craniossinostose, identificar as suturas2 comprometidas e auxiliar no planejamento cirúrgico. A ressonância magnética41 pode ser indicada para avaliação de hidrocefalia12, malformações10 cerebrais, hipertensão24 intracraniana e malformação25 de Chiari.
Como a síndrome1 de Pfeiffer apresenta manifestações semelhantes às síndromes de Apert, Crouzon, Jackson-Weiss e Muenke, o diagnóstico6 diferencial depende principalmente da avaliação clínica associada à confirmação molecular.
Como o médico trata a síndrome1 de Pfeiffer?
Não existe cura para a síndrome1 de Pfeiffer. O tratamento é individualizado e realizado por uma equipe multidisciplinar, envolvendo neurocirurgião, cirurgião craniofacial, geneticista, pediatra, otorrinolaringologista, oftalmologista43, ortopedista, odontólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e outros profissionais, conforme as necessidades de cada paciente. O principal objetivo é preservar o desenvolvimento cerebral, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.
A cirurgia para correção da craniossinostose costuma ser realizada nos primeiros meses de vida, permitindo a expansão adequada do crânio3, reduzindo o risco de hipertensão24 intracraniana e favorecendo o desenvolvimento cerebral. Outras cirurgias craniofaciais podem ser realizadas posteriormente para corrigir deformidades da face4 média, das órbitas e da maxila26.
As alterações respiratórias podem exigir medidas como CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), oxigenoterapia, cirurgias para ampliação das vias aéreas superiores e, nos casos graves, traqueostomia44 temporária. As alterações das mãos5 e dos pés podem ser corrigidas por procedimentos ortopédicos ou reconstrutivos quando comprometem a função. Alterações menos importantes podem apenas ser acompanhadas.
A perda auditiva deve ser tratada precocemente, podendo incluir aparelhos auditivos, implantes osteoancorados ou, em situações específicas, implante45 coclear. O acompanhamento oftalmológico também é essencial para prevenir lesões46 corneanas decorrentes da proptose, podendo ser necessárias medidas de proteção ocular ou procedimentos cirúrgicos.
O acompanhamento longitudinal inclui monitorização do crescimento craniano, avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor, tratamento das alterações respiratórias, auditivas, visuais e odontológicas, além de aconselhamento genético para a família, especialmente quando há planejamento reprodutivo.
Veja também sobre "Genética - conceitos básicos", "Triploidia" e "Edição genética".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Clinic e da U.S. National Library of Medicine.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.











