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Mastigar bem faz diferença? Entenda como a mastigação influencia sua saúde

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A mastigação é uma função essencial do sistema digestório1 e envolve muito mais do que triturar os alimentos antes de engoli-los. Além de preparar o alimento para a deglutição2 e facilitar sua digestão3, ela estimula a produção de saliva, participa da percepção de sabores e texturas e contribui para uma alimentação adequada. Ao longo da vida, preservar uma boa capacidade mastigatória também é importante para a saúde4 bucal, o estado nutricional e a qualidade de vida.

O que é mastigação?

A mastigação é o processo de triturar, fragmentar e misturar os alimentos com a saliva antes da deglutição2. É realizada por uma ação coordenada dos dentes, músculos5 da mastigação, língua6, bochechas e articulação temporomandibular7.

Cada grupo de dentes desempenha uma função: os incisivos cortam os alimentos, os caninos ajudam a rasgá-los e os pré-molares e molares realizam principalmente a trituração. Ao mesmo tempo, a língua6 movimenta o alimento dentro da boca8 e o mistura à saliva até formar um bolo alimentar com consistência adequada para ser engolido.

A saliva tem papel importante nesse processo. Além de umedecer e lubrificar o alimento, contém amilase salivar, enzima9 que inicia a digestão3 do amido. Também ajuda a proteger dentes e mucosas10 e a neutralizar ácidos na cavidade oral11. Quando o bolo alimentar está pronto, a língua6 o conduz em direção à faringe12, iniciando a deglutição2.

Qual é a relação entre a mastigação e a digestão3?

Ao fragmentar os alimentos em partículas menores, a mastigação aumenta a superfície disponível para a ação das enzimas digestivas nas etapas seguintes da digestão3. A mistura com a saliva também facilita a formação de um bolo alimentar coeso e lubrificado, tornando a deglutição2 mais eficiente.

Isso não significa, porém, que mastigar pouco provoque necessariamente digestão3 ou má absorção de nutrientes. Em pessoas saudáveis, o estômago13 e o intestino conseguem processar os alimentos mesmo quando a mastigação não é ideal.

O problema torna-se mais relevante quando existe dificuldade mastigatória importante, como em pessoas com perda dentária, dor ou próteses inadequadas. Nesses casos, determinados alimentos podem ser evitados, reduzindo a variedade e a qualidade nutricional da dieta.

A maneira como se come também pode influenciar o conforto após as refeições. Comer rapidamente, ingerir grandes porções de uma só vez e engolir muito ar pode favorecer sensação de plenitude e distensão abdominal em algumas pessoas.

Veja sobre "Como funciona o controle do apetite", "Microbioma14 intestinal humano" e "Macroglossia".

Como a mastigação influencia a saúde4 bucal e a alimentação?

Mastigar estimula o fluxo de saliva, que auxilia na lubrificação da boca8, na remoção de resíduos alimentares e na neutralização de ácidos que podem favorecer a desmineralização dos dentes. Esse mecanismo contribui para a proteção da cavidade oral11, mas não substitui a escovação com creme dental fluoretado, o uso do fio dental e o acompanhamento odontológico.

A capacidade de mastigar também influencia diretamente as escolhas alimentares. Pessoas com perda de dentes, dor, próteses mal adaptadas ou outras dificuldades podem preferir alimentos mais macios e evitar carnes, frutas, verduras e outros alimentos que exigem maior esforço mastigatório. Quando essa restrição é prolongada, pode comprometer a qualidade da dieta e, sobretudo em idosos, contribuir para inadequações nutricionais.

Por isso, manter dentes funcionais e tratar problemas que dificultem a mastigação é importante não apenas para a saúde4 bucal, mas também para preservar uma alimentação variada e prazerosa.

Mastigar devagar ajuda no controle do peso?

A velocidade das refeições pode influenciar a quantidade de alimento ingerida. Comer mais devagar proporciona mais tempo para que os sinais15 envolvidos na saciedade sejam percebidos durante a refeição. Esses sinais15 resultam da interação entre estímulos sensoriais, distensão do trato gastrointestinal e mecanismos neurais e hormonais.

Estudos observacionais mostram associação entre comer rapidamente, maior ingestão energética e excesso de peso. Por outro lado, reduzir a velocidade das refeições e mastigar adequadamente pode ajudar algumas pessoas a perceber melhor a saciedade e consumir menos alimento.

Isso não significa que exista um número ideal de mastigações nem que comer lentamente, isoladamente, previna ou trate a obesidade16. O peso corporal depende de múltiplos fatores, incluindo alimentação, atividade física, sono, genética, ambiente e condições de saúde4.

Infográfico - Mastigar bem

Existe relação entre mastigação e função cerebral?

A possível relação entre mastigação e cérebro17 tem recebido atenção crescente. Estudos mostram que mastigar pode provocar alterações transitórias no fluxo sanguíneo e na atividade de determinadas regiões cerebrais, com possíveis efeitos sobre atenção e desempenho cognitivo18.

Em idosos, estudos observacionais também encontram associação entre perda dentária, pior capacidade mastigatória e maior comprometimento cognitivo19. Entretanto, esses resultados não demonstram que a redução da mastigação seja uma causa direta de declínio cognitivo19. Idade, doenças crônicas, alimentação, condições socioeconômicas e saúde4 geral podem influenciar essa associação.

Assim, preservar a saúde4 bucal e a capacidade de mastigar é importante para a alimentação e a qualidade de vida durante o envelhecimento, mas ainda não há evidências suficientes para afirmar que mastigar mais previna demência20 ou outras doenças neurológicas.

Qual é a importância da mastigação durante a infância?

Na infância, aprender a mastigar faz parte do desenvolvimento das habilidades motoras orais. A exposição progressiva a diferentes consistências permite que a criança aprenda a movimentar, triturar e organizar os alimentos na boca8 antes de engoli-los. A mastigação também fornece estímulos funcionais aos músculos5 e estruturas craniofaciais.

Entretanto, o crescimento dos maxilares21 e o alinhamento dos dentes dependem de diversos fatores, especialmente genéticos e ambientais, e não são determinados apenas pela consistência dos alimentos.

Durante a alimentação complementar, portanto, é importante evoluir gradualmente as texturas conforme a idade e o desenvolvimento da criança, evitando manter desnecessariamente uma alimentação exclusivamente pastosa. Ao mesmo tempo, devem ser respeitadas as recomendações de segurança para reduzir o risco de engasgo.

Quais são as consequências de uma mastigação inadequada?

Quando persistente, a dificuldade para mastigar pode tornar as refeições desconfortáveis e demoradas e levar à preferência por alimentos mais fáceis de triturar. Com o tempo, a restrição de determinados grupos alimentares pode reduzir a variedade da dieta e prejudicar o aporte de nutrientes.

Dores faciais, fadiga22 dos músculos mastigatórios23, estalos, travamento ou limitação dos movimentos da mandíbula24 também podem interferir na mastigação e estar relacionados a disfunções temporomandibulares.

Perdas dentárias, cáries25 extensas, doença periodontal26 e próteses inadequadas são outras causas que merecem investigação e tratamento.

Como melhorar a mastigação no dia a dia?

O mais importante é comer sem pressa, colocar porções adequadas na boca8 e mastigar até que o alimento esteja suficientemente fragmentado e confortável para ser engolido. Não existe um número universal de mastigações por porção: a necessidade varia conforme o tamanho, a textura e a consistência do alimento.

Também é importante manter a saúde4 dos dentes e das gengivas e procurar avaliação odontológica diante de dor, perda dentária, dificuldade persistente para mastigar ou próteses desconfortáveis. Mastigar sempre de um único lado, principalmente quando esse hábito surgiu recentemente, pode indicar algum problema dentário ou funcional que precisa ser avaliado.

Engasgos frequentes, tosse durante as refeições, dor ou dificuldade para engolir, sensação persistente de alimento parado na garganta27 ou perda de peso sem explicação exigem atenção, pois podem indicar um problema de deglutição2 e não apenas de mastigação. Nesses casos, pode ser necessária avaliação médica, odontológica e/ou fonoaudiológica

Mais do que contar quantas vezes cada alimento é mastigado, o objetivo é preservar uma mastigação confortável, eficiente e sem dor. Comer com calma e manter uma boa saúde4 bucal favorecem refeições mais seguras, variadas e prazerosas em todas as fases da vida.

Leia sobre "Bruxismo", "Trismo", "Disfagia28 e odinofagia29" e "Meu queixo caiu!".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Organização Brasileira da Doença de Crohn e Colite e da U.S. National Library of Medicine.

ABCMED, 2026. Mastigar bem faz diferença? Entenda como a mastigação influencia sua saúde. Disponível em: <https://abc.cxpass.net/p/vida-saudavel/1514575/mastigar-bem-faz-diferenca-entenda-como-a-mastigacao-influencia-sua-saude.htm>. Acesso em: 16 set. 2026.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sistema Digestório: Grupo de órgãos que se estende desde a BOCA até o ÂNUS, atuando na degradação de alimentos, absorção dos nutrientes e eliminação dos resíduos. Em humanos, o sistema digestório abrange o TRATO GASTRINTESTINAL e as glândulas acessórias (FÍGADO, TRATO BILIAR, PÂNCREAS). Sinônimos: Sistema Digestivo; Aparelho Digestivo
2 Deglutição: Passagem dos alimentos desde a boca até o esôfago; ação ou efeito de deglutir; engolir. É um mecanismo em parte voluntário e em parte automático (reflexo) que envolve a musculatura faríngea e o esfíncter esofágico superior.
3 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
5 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
6 Língua:
7 Articulação Temporomandibular: Articulação entre o côndilo da mandíbula e o tubérculo articular do osso temporal. Relação Central;
8 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
9 Enzima: Proteína produzida pelo organismo que gera uma reação química. Por exemplo, as enzimas produzidas pelo intestino que ajudam no processo digestivo.
10 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
11 Cavidade Oral: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
12 Faringe: Canal músculo-membranoso comum aos sistemas digestivo e respiratório. Comunica-se com a boca e com as fossas nasais. É dividida em três partes: faringe superior (nasofaringe ou rinofaringe), faringe bucal (orofaringe) e faringe inferior (hipofaringe, laringofaringe ou faringe esofagiana), sendo um órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.
13 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
14 Microbioma: Comunidade ecológica de microrganismos comensais, simbióticos e patogênicos que compartilham nosso espaço corporal. Microbioma humano é o conjunto de microrganismos que reside no corpo do Homo sapiens, mantendo uma relação simbiótica com o hospedeiro. O conceito vai além do termo microbiota, incluindo também a relação entre as células microbianas e as células e sistemas humanos, por meio de seus genomas, transcriptomas, proteomas e metabolomas.
15 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
16 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
17 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
18 Desempenho cognitivo: Desempenho dos processos de aprendizagem e de aquisição de conhecimento através da percepção.
19 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
20 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
21 Maxilares: Estrutura óssea da boca (que fixa os dentes). É constituída pela MANDÍBULA e pela MAXILA.
22 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
23 Músculos Mastigatórios: Origem
24 Mandíbula: O maior (e o mais forte) osso da FACE; constitui o maxilar inferior, que sustenta os dentes inferiores. Sinônimos: Forame Mandibular; Forame Mentoniano; Sulco Miloióideo; Maxilar Inferior
25 Cáries: Destruição do esmalte dental produzida pela proliferação de bactérias na cavidade oral.
26 Periodontal: Relativo ao ou próprio do tecido em torno dos dentes, o periodonto. O periodonto é o tecido conjuntivo que fixa o dente no alvéolo.
27 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
28 Disfagia: Sensação consciente da passagem dos alimentos através do esôfago. Pode estar associado a doenças motoras, inflamatórias ou tumorais deste órgão.
29 Odinofagia: Deglutição com dor.
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