6 prejuízos do cigarro para o organismo - e o que muda quando você para de fumar
O tabagismo é um dos mais importantes problemas de saúde1 pública em todo o mundo. O hábito de fumar está associado a milhões de mortes anuais e representa uma das principais causas evitáveis de doenças, incapacidades e mortes prematuras.
Seus efeitos atingem praticamente todos os sistemas do organismo, favorecendo o surgimento de doenças cardiovasculares2, respiratórias, cânceres, problemas reprodutivos, envelhecimento precoce e comprometimento imunológico.
O fumo não afeta apenas os fumantes ativos, mas também as pessoas expostas involuntariamente à fumaça do tabaco, situação denominada tabagismo passivo. Apesar da ampla divulgação dos riscos, o cigarro continua sendo consumido por milhões de pessoas, contribuindo para o desenvolvimento de inúmeras enfermidades e para a redução da expectativa e da qualidade de vida.
A prevenção do início do hábito de fumar e o incentivo à cessação do tabagismo constituem medidas fundamentais para a promoção da saúde1. Embora abandonar o cigarro possa ser um desafio devido à dependência da nicotina, os benefícios obtidos são amplos, duradouros e capazes de melhorar significativamente a qualidade e a expectativa de vida3. Esses benefícios começam pouco tempo após o último cigarro e continuam aumentando ao longo dos anos.
Combater o tabagismo continua sendo uma das estratégias mais eficazes para reduzir a ocorrência de doenças crônicas e promover uma vida mais saudável.
- O que é o fumo? Como ele prejudica o organismo?
- Quais são os principais efeitos desfavoráveis do fumo sobre o organismo?
- O fumo passivo também faz mal?
- Quais são os benefícios de parar de fumar?
O que é o fumo? Como ele prejudica o organismo?
O fumo consiste na inalação da fumaça produzida pela queima do tabaco, presente em cigarros, charutos, cachimbos e outros produtos derivados. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas e várias comprovadamente cancerígenas. Entre os componentes mais conhecidos estão a nicotina; o monóxido de carbono4; substâncias presentes na fase particulada da fumaça, frequentemente chamadas de alcatrão; o benzeno; o formaldeído; e diversos metais pesados.
A nicotina é a principal substância responsável pelo desenvolvimento e pela manutenção da dependência do tabaco. Ela atua no sistema nervoso central5, ligando-se a receptores nicotínicos de acetilcolina6 e aumentando, entre outros efeitos, a liberação de dopamina7 nos circuitos cerebrais de recompensa. Essa ação favorece o desenvolvimento da dependência e explica sintomas8 de abstinência, como irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e forte desejo de fumar, que podem surgir após a interrupção do consumo.
Os danos provocados pelo cigarro começam logo após a inalação da fumaça. As substâncias tóxicas alcançam rapidamente os pulmões9 e entram na corrente sanguínea, distribuindo-se por praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo.
O monóxido de carbono4 liga-se à hemoglobina10 com grande afinidade, formando carboxi-hemoglobina10 e diminuindo a disponibilidade de oxigênio para os tecidos. As partículas e substâncias tóxicas presentes na fumaça lesionam o epitélio11 das vias respiratórias, comprometem os mecanismos de defesa pulmonar e favorecem inflamação12, doenças respiratórias e câncer13. Já a nicotina estimula o sistema nervoso14 simpático15, podendo aumentar temporariamente a frequência cardíaca e a pressão arterial16 e promover vasoconstrição17.
A exposição contínua aos componentes da fumaça do tabaco provoca disfunção endotelial, inflamação12, estresse oxidativo, alterações da coagulação18 e danos ao DNA, mecanismos envolvidos no desenvolvimento de doenças cardiovasculares2, pulmonares e neoplásicas19.
Quais são os principais efeitos desfavoráveis do fumo sobre o organismo?
Doenças cardiovasculares2
As doenças cardiovasculares2 estão entre as principais consequências do tabagismo. O cigarro lesiona o endotélio vascular20, favorece a inflamação12, aumenta a ativação plaquetária e contribui para a formação e a progressão de placas21 ateroscleróticas. Essas placas21 podem estreitar ou obstruir os vasos sanguíneos22, reduzindo o fluxo de sangue23 para órgãos vitais ou romper-se e desencadear a formação de trombos24.
Assim, os fumantes apresentam maior risco de desenvolver:
- doença arterial coronariana;
- angina25;
- infarto26 agudo27 do miocárdio28;
- acidente vascular cerebral29;
- doença arterial periférica;
- aneurisma30 da aorta31;
- e alterações da pressão arterial16 e da função vascular32.
O risco cardiovascular aumenta com a intensidade e a duração da exposição ao tabaco; entretanto, não existe um nível seguro de consumo. Mesmo fumar poucos cigarros por dia está associado a aumento importante do risco cardiovascular em comparação com nunca fumar.
Doenças respiratórias
O sistema respiratório33 é um dos mais afetados pelo tabagismo. A fumaça do cigarro agride continuamente as vias aéreas e os pulmões9, provocando inflamação12 crônica, aumento da produção de muco, comprometimento da depuração mucociliar34 e destruição progressiva do parênquima35 pulmonar.
Uma das principais consequências é a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), condição caracterizada por sintomas8 respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo, frequentemente associada a alterações compatíveis com bronquite crônica36 e/ou enfisema37. A doença pode provocar falta de ar, tosse persistente, expectoração38 e limitação progressiva da capacidade respiratória.
Além disso, o tabagismo aumenta o risco de infecções39 respiratórias e pneumonia40, piora o controle da asma41 e está associado a maior risco de tuberculose42 e de formas mais graves da doença. Também pode contribuir para doenças das vias aéreas superiores e, nos casos avançados de doença pulmonar, para insuficiência respiratória43.
Parte das alterações inflamatórias e funcionais pode melhorar após a cessação, mas danos estruturais já estabelecidos, como a destruição alveolar do enfisema37, não são completamente reversíveis. Ainda assim, parar de fumar reduz a velocidade de perda da função pulmonar e o risco de exacerbações e outras complicações.
Cânceres relacionados ao tabagismo
O câncer13 é uma das consequências mais graves do fumo. O cigarro é responsável por grande parte dos casos e das mortes por câncer13 de pulmão44, considerado um dos tumores mais letais do mundo. Contudo, os efeitos cancerígenos do tabaco não se limitam aos pulmões9.
O tabagismo aumenta comprovadamente o risco de câncer13 de boca45, lábios, faringe46, laringe47, esôfago48, estômago49, fígado50, pâncreas51, rim52, ureter53, bexiga54, colo do útero55, cólon56 e reto57, além de leucemia58 mieloide aguda, entre outros tumores.
As substâncias cancerígenas presentes na fumaça podem provocar danos ao DNA e interferir nos mecanismos celulares responsáveis por reparar essas lesões59 e controlar a proliferação celular. Ao longo dos anos, o acúmulo dessas alterações pode favorecer a transformação maligna das células60 e o desenvolvimento de câncer13.
Efeitos sobre o sistema reprodutivo e a gestação
O tabagismo também afeta significativamente a saúde1 reprodutiva masculina e feminina. Nos homens, pode causar disfunção erétil e redução da fertilidade, além de estar associado a alterações na concentração, motilidade, morfologia e integridade do DNA dos espermatozoides61. Nas mulheres, está associado à diminuição da fertilidade, redução da reserva e da função ovariana e antecipação da menopausa62.
Durante a gestação, o tabagismo aumenta o risco de complicações como aborto espontâneo, gravidez ectópica63, alterações placentárias, restrição do crescimento fetal, baixo peso ao nascer, parto prematuro e morte fetal. Recém-nascidos expostos ao tabaco durante a gestação ou após o nascimento também apresentam maior risco de problemas respiratórios e síndrome64 da morte súbita do lactente65, entre outras consequências adversas.
Envelhecimento precoce e outros efeitos sobre a aparência
O tabagismo acelera diversos processos relacionados ao envelhecimento, especialmente na pele66 e no sistema vascular32. A vasoconstrição17, a redução da oferta de oxigênio aos tecidos, o estresse oxidativo e a degradação de componentes estruturais da pele66, como colágeno67 e elastina, favorecem o envelhecimento cutâneo68 precoce.
Entre os efeitos observados destacam-se rugas mais acentuadas, perda de elasticidade69 e aspecto envelhecido da pele66, além de manchas e amarelamento dos dentes e dos dedos e maior ocorrência de doenças periodontais70.
O tabagismo também contribui para envelhecimento vascular32 e está associado a alterações dos cabelos, embora a relação com queda capilar71 seja menos direta do que a observada com o envelhecimento cutâneo68 e vascular32.
Comprometimento do sistema imunológico72 e da cicatrização
O cigarro altera diferentes componentes da resposta imunológica e compromete mecanismos de defesa do organismo. A exposição contínua às substâncias tóxicas prejudica tanto respostas imunes inatas quanto adaptativas e compromete as defesas das mucosas73 respiratórias, aumentando a suscetibilidade a determinadas infecções39 e dificultando a recuperação de algumas doenças. Os fumantes tendem a apresentar maior incidência74 de infecções39 respiratórias, doenças periodontais70 e complicações pós-operatórias.
Além disso, a redução da perfusão e da oxigenação dos tecidos, associada a alterações inflamatórias e vasculares75, prejudica a cicatrização de feridas, aumentando o risco de deiscência76, infecção77 e outras complicações após procedimentos cirúrgicos.
Leia sobre "Parar de fumar: como é", "Tabagismo" e "Cigarro eletrônico".
O fumo passivo também faz mal?
Os prejuízos do tabagismo não se restringem aos fumantes. A exposição passiva ocorre quando uma pessoa inala a fumaça proveniente da queima do produto de tabaco e a fumaça exalada pelo fumante. Essa mistura contém numerosas substâncias tóxicas e cancerígenas, e não há nível de exposição ao fumo passivo considerado seguro.
Pessoas expostas regularmente ao fumo passivo apresentam maior risco de doença cardiovascular, acidente vascular cerebral29 e câncer13 de pulmão44, mesmo que nunca tenham fumado. As crianças constituem um grupo particularmente vulnerável. A exposição à fumaça do cigarro aumenta a ocorrência de infecções39 respiratórias, doença da orelha média78, piora da asma41 e redução da função pulmonar, além de elevar o risco de síndrome64 da morte súbita do lactente65.
Durante a gestação, a exposição materna ao fumo passivo também está associada a desfechos adversos para a mãe e o feto79.
Quais são os benefícios de parar de fumar?
Parar de fumar proporciona benefícios em qualquer idade, inclusive para pessoas que fumaram durante muitos anos ou que já apresentam doenças relacionadas ao tabagismo. Algumas mudanças começam em minutos, enquanto a redução dos riscos de doenças cardiovasculares2, respiratórias e cânceres ocorre progressivamente ao longo dos anos.
Pouco após o último cigarro, a frequência cardíaca e a pressão arterial16 começam a diminuir. Em aproximadamente 12 horas, a concentração de monóxido de carbono4 no sangue23 cai para níveis próximos do normal.
Nas semanas seguintes, a circulação80 e a função pulmonar começam a melhorar; ao longo dos primeiros meses, tosse e falta de ar podem diminuir. Cerca de 1 a 2 anos após a cessação, o risco de infarto26 diminui acentuadamente.
Entre 5 e 10 anos, o risco de acidente vascular cerebral29 se reduz e o risco de vários cânceres relacionados ao tabaco, como os de boca45, garganta81 e laringe47, cai de forma importante. Após aproximadamente 10 a 15 anos, o risco adicional de câncer13 de pulmão44 cai para cerca da metade daquele observado em quem continua fumando.
Por volta de 15 anos após parar, o risco de doença arterial coronariana aproxima-se do observado em pessoas que não fumam.
Esses intervalos são estimativas populacionais e podem variar de acordo com a intensidade e a duração prévia do tabagismo, a idade, a presença de outras doenças e outros fatores individuais. Além disso, alguns riscos podem permanecer acima dos observados em pessoas que nunca fumaram por muitos anos.
Ainda assim, a cessação reduz substancialmente o risco de adoecimento e morte e aumenta a expectativa de vida3. Quanto mais cedo a pessoa parar de fumar, maior tende a ser o benefício, mas nunca é tarde para abandonar o cigarro.
Veja também: "9 prejuízos que o consumo pode causar ao organismo".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da FIOCRUZ e da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.











