Síndrome de Sorsby e a perda progressiva da visão central
O que é a síndrome1 de Sorsby?
A síndrome1 de Sorsby, mais corretamente denominada distrofia2 do fundo de olho3 de Sorsby (Sorsby Fundus Dystrophy), é uma distrofia2 macular hereditária rara, caracterizada por degeneração4 progressiva da retina5, com predomínio na região macular, responsável pela visão central6 fina e detalhada. Trata-se de uma doença genética de herança autossômica7 dominante, o que significa que a presença de uma única cópia mutada do gene já é suficiente para que a doença possa se manifestar.
Clinicamente, a condição pode se assemelhar à degeneração macular8 relacionada à idade (DMRI), porém tende a surgir mais precocemente, geralmente entre a terceira e a quinta décadas de vida. A evolução costuma ser gradual e progressiva, podendo levar a comprometimento importante da visão central6 ao longo do tempo.
A doença foi descrita pela primeira vez em 1949 pelo oftalmologista9 britânico Arnold Sorsby, motivo pelo qual passou a receber seu nome.
Quais são as causas da síndrome1 de Sorsby?
A síndrome1 de Sorsby é causada por mutações no gene TIMP3 (Tissue Inhibitor of Metalloproteinases-3), localizado no cromossomo10 22q12. Esse gene codifica uma proteína que atua como inibidor das metaloproteinases da matriz extracelular, enzimas responsáveis pela degradação e remodelação dos componentes da matriz extracelular. As mutações no TIMP3 levam à produção de uma proteína estruturalmente alterada, que se deposita de forma anormal na membrana de Bruch11, estrutura que separa o epitélio12 pigmentar da retina5 da circulação13 coroideana.
Esse acúmulo anormal espessa a membrana de Bruch11 e altera sua permeabilidade14, comprometendo a difusão adequada de nutrientes, metabólitos15 e oxigênio entre a coroide16 e a retina5. Como consequência, ocorre disfunção progressiva do epitélio12 pigmentar e dos fotorreceptores17.
Por se tratar de uma doença hereditária autossômica7 dominante, indivíduos com história familiar positiva apresentam risco elevado de desenvolver a doença. Entretanto, a penetrância18 e a expressividade clínica podem variar entre os membros da mesma família, resultando em diferentes idades de início e graus de comprometimento visual.
Leia também sobre "Cegueira noturna", "Moscas volantes" e "Perda súbita da visão19".
Qual é a fisiopatologia20 da síndrome1 de Sorsby?
A fisiopatologia20 da síndrome1 de Sorsby envolve alterações estruturais progressivas da membrana de Bruch11, do epitélio12 pigmentar da retina5 e da circulação13 coroideana. A mutação21 no gene TIMP3 provoca deposição excessiva da proteína mutante na matriz extracelular da membrana de Bruch11, levando ao seu espessamento e à redução da permeabilidade14. Esse processo dificulta a troca metabólica entre a coroide16 e os fotorreceptores17, resultando em estresse metabólico crônico22 do epitélio12 pigmentar da retina5 e das células23 fotorreceptoras.
Com o tempo, ocorre degeneração4 progressiva dos fotorreceptores17, especialmente na região macular, responsável pela visão central6. Alterações estruturais semelhantes às observadas em distrofias24 maculares e na degeneração macular8 relacionada à idade podem ser observadas, incluindo depósitos sub-retinianos e alterações do epitélio12 pigmentar.
Além disso, o espessamento e a disfunção da membrana de Bruch11 favorecem o desenvolvimento de neovascularização25 coroideana, caracterizada pela proliferação de vasos sanguíneos26 anormais provenientes da coroide16, que podem extravasar líquido ou sangue27 para o espaço sub-retiniano. Essa complicação é uma das principais responsáveis pela perda visual rápida em muitos pacientes.
Quais são as características clínicas da síndrome1 de Sorsby?
As manifestações clínicas da síndrome1 de Sorsby geralmente surgem na idade adulta, tipicamente entre os 30 e 50 anos. Um dos primeiros sintomas28 relatados é a dificuldade de adaptação ao escuro, também chamada de nictalopia ou cegueira noturna, que pode preceder outras alterações visuais por vários anos.
Com a progressão da doença, podem surgir redução da acuidade visual29 central, visão19 borrada, metamorfopsias (distorção das imagens), escotomas30 centrais (manchas escuras no campo visual31 central) e alterações na percepção de cores. Alguns pacientes também relatam fotofobia32 ou desconforto visual em ambientes muito iluminados.
Ao exame oftalmológico, podem ser observadas alterações do epitélio12 pigmentar da retina5, depósitos sub-retinianos, espessamento da membrana de Bruch11 e sinais33 de degeneração macular8. Em muitos pacientes, desenvolve-se neovascularização25 coroideana, que pode levar a hemorragias34 sub-retinianas ou acúmulo de fluido na mácula35.
Em fases mais avançadas da doença, a visão central6 pode ficar gravemente comprometida, enquanto a visão periférica36 costuma permanecer relativamente preservada, permitindo manutenção parcial da orientação espacial e da mobilidade.
Como o médico diagnostica a síndrome1 de Sorsby?
O diagnóstico37 da síndrome1 de Sorsby baseia-se na combinação de história clínica, exame oftalmológico detalhado, exames de imagem e confirmação genética quando disponível. A avaliação inicial inclui investigação de sintomas28 visuais precoces, especialmente nictalopia e perda progressiva da visão central6, além de pesquisa de histórico familiar de doenças maculares hereditárias.
Entre os principais exames complementares utilizados estão:
- A fundoscopia, que pode revelar alterações pigmentares maculares, depósitos sub-retinianos e sinais33 de degeneração macular8.
- A tomografia de coerência óptica (OCT), que permite avaliar detalhadamente as camadas da retina5, podendo demonstrar alterações do epitélio12 pigmentar, depósitos sub-retinianos e presença de fluido associado à neovascularização25.
- A angiografia38 fluoresceínica, útil para identificar e caracterizar áreas de neovascularização25 coroideana.
- A angiografia38 com indocianina verde, que pode auxiliar na avaliação da circulação13 coroideana em casos selecionados.
- O teste genético molecular para identificação de mutações no gene TIMP3, que pode confirmar o diagnóstico37, além de auxiliar no aconselhamento genético dos familiares.
Como o médico trata a síndrome1 de Sorsby?
Atualmente, não existe tratamento curativo para a síndrome1 de Sorsby, e as estratégias terapêuticas visam controlar complicações e preservar a função visual pelo maior tempo possível.
A principal intervenção terapêutica39 ocorre quando há desenvolvimento de neovascularização25 coroideana, situação na qual são utilizadas injeções intravítreas de agentes anti-VEGF (fator de crescimento endotelial vascular40), como ranibizumabe, aflibercepte ou bevacizumabe. Esses medicamentos reduzem a formação de vasos anormais e diminuem o extravasamento de líquido e sangue27, podendo estabilizar ou até melhorar temporariamente a acuidade visual29 em alguns pacientes.
Além disso, recomenda-se acompanhamento oftalmológico regular, com monitorização da função visual e identificação precoce de complicações maculares.
Programas de reabilitação visual podem ser úteis para pacientes41 com perda visual significativa, ajudando na adaptação às limitações visuais. Auxílios ópticos e tecnologias assistivas também podem melhorar a autonomia funcional. O aconselhamento genético é uma parte importante do cuidado, especialmente para indivíduos com história familiar da doença ou que estejam planejando filhos.
Até o momento, não há evidências sólidas de que suplementação42 vitamínica altere significativamente a evolução da doença, embora medidas gerais de saúde43 ocular possam ser recomendadas caso a caso pelo oftalmologista9.
Como evolui a síndrome1 de Sorsby?
A evolução da síndrome1 de Sorsby é progressiva e variável entre os pacientes. Em muitos casos, a perda visual ocorre lentamente ao longo de anos, mas episódios de neovascularização25 coroideana podem provocar deterioração visual mais rápida.
A visão central6 tende a ser a principal afetada, podendo evoluir para baixa visão19 grave ou cegueira legal, enquanto a visão periférica36 geralmente permanece preservada. O diagnóstico37 precoce e o tratamento adequado das complicações, especialmente da neovascularização25 coroideana, podem retardar a progressão da perda visual e contribuir para melhor qualidade de vida.
Quais são as complicações possíveis com a síndrome1 de Sorsby?
As principais complicações associadas à síndrome1 de Sorsby incluem neovascularização25 coroideana, hemorragias34 sub-retinianas, exsudação44 macular, fibrose45 sub-retiniana, atrofia46 macular progressiva e perda visual central irreversível. Essas complicações são as principais responsáveis pela redução significativa da visão19 em muitos pacientes.
Além das repercussões oftalmológicas, a perda visual progressiva pode ter impacto psicológico importante, podendo levar a ansiedade, depressão e dificuldades de adaptação às atividades cotidianas. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar e o suporte psicossocial podem ser necessários em alguns casos.
Veja sobre "Deficiência visual", "Perda súbita da visão19", "Diplopia47" e "Descolamento de retina5".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine, da Macular Society e da University of Arizona.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.










