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Diferenças entre Oftalmologia, Optometria e Ortóptica

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O que é oftalmologia?

A oftalmologia é uma especialidade médica dedicada ao estudo, diagnóstico1, tratamento e prevenção de doenças e distúrbios relacionados aos olhos2 e ao sistema visual. Além dos erros refrativos, como miopia3, hipermetropia4, astigmatismo5 e presbiopia6, a oftalmologia abrange doenças potencialmente graves, como catarata7, glaucoma8, retinopatias, infecções9 oculares, doenças inflamatórias, doenças da superfície ocular, alterações neuro-oftalmológicas e tumores.

O oftalmologista10 é o médico responsável por realizar exames clínicos completos, incluindo biomicroscopia, tonometria, fundoscopia e exames complementares como tomografia de coerência óptica (OCT), campimetria e retinografia11, além de prescrever medicamentos, indicar cirurgias e acompanhar condições crônicas que afetam a visão12. Diferentemente de outras áreas da saúde13 visual, a oftalmologia envolve intervenções invasivas, como cirurgias de estrabismo14, facectomia para tratamento de catarata7, cirurgias refrativas e procedimentos a laser para doenças retinianas ou glaucoma8.

A oftalmologia considera o olho15 como parte integrante do organismo. Muitas doenças sistêmicas apresentam manifestações oculares, como o diabetes mellitus16 (retinopatia diabética17), a hipertensão arterial18 (retinopatia hipertensiva), doenças autoimunes19 e distúrbios neurológicos. Por exemplo, um oftalmologista10 pode detectar sinais20 precoces de retinopatia diabética17 durante um exame de fundo de olho21, permitindo intervenção precoce.

Além disso, a especialidade lida com emergências oftalmológicas, como traumas oculares, úlceras22 de córnea23, glaucoma8 agudo24 e descolamento de retina25, que exigem diagnóstico1 e tratamento imediatos para evitar perda visual permanente.

No Brasil, a oftalmologia é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), e o título de especialista é concedido pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A prática médica oftalmológica exige formação completa em medicina e residência médica credenciada. Essa área é essencial para a saúde13 pública, especialmente em programas de rastreamento de retinopatia diabética17, glaucoma8 e prevenção da cegueira evitável.

Em resumo, a oftalmologia é o pilar médico do cuidado ocular, focando na saúde13 integral dos olhos2 e nas suas conexões com o organismo.

Leia sobre "Catarata7", "Glaucoma8" e "Conjuntivite26 infecciosa".

O que é optometria?

A optometria é uma área da saúde13 visual voltada principalmente para a avaliação funcional da visão12 e para a correção dos erros refrativos. Ela identifica e corrige distúrbios como miopia3, hipermetropia4, astigmatismo5 e presbiopia6 por meio de exames não invasivos, como testes de acuidade visual27, refração objetiva e subjetiva e avaliação da função binocular.

O optometrista prescreve óculos e lentes de contato e pode orientar medidas de higiene visual, ergonomia e adaptação ao uso de dispositivos digitais. A atuação concentra-se na correção óptica e na avaliação funcional da visão12, não incluindo diagnóstico1 médico de doenças oculares nem prescrição de medicamentos.

É importante esclarecer que o optometrista pode identificar sinais20 sugestivos de alterações oculares durante a avaliação, como suspeita de glaucoma8, catarata7 ou alterações retinianas, mas nesses casos deve encaminhar o paciente ao oftalmologista10 para investigação diagnóstica e tratamento médico.

No contexto brasileiro, a optometria não é uma especialidade médica. Sua regulamentação é tema de debate jurídico há décadas. Atualmente, o exercício da optometria é permitido dentro de limites legais que não invadam atos privativos da medicina, conforme decisões judiciais e entendimentos do CFM. Em muitos países, como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, a optometria é uma profissão autônoma amplamente regulamentada, com escopo de atuação mais amplo do que o permitido no Brasil.

A optometria contribui para a ampliação do acesso à correção visual, especialmente em regiões com menor disponibilidade de oftalmologistas, desde que respeitados os limites legais da atuação profissional.

O que é ortóptica28?

A ortóptica28 é uma área da saúde13 visual voltada ao diagnóstico1 funcional e à reabilitação dos distúrbios da motilidade ocular e da visão12 binocular, como estrabismo14, ambliopia29 e alterações da coordenação ocular.

Ela atua principalmente na avaliação de desvios oculares, na medição de ângulos de estrabismo14, na análise da estereopsia e na aplicação de terapias visuais complementares. O foco não é tratar doenças oculares estruturais, mas atuar na reabilitação funcional e na melhora da coordenação entre os olhos2.

Em crianças, a ortóptica28 tem papel importante no acompanhamento do desenvolvimento visual, especialmente em casos de estrabismo14 e ambliopia29. A ambliopia29, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”, é uma redução da acuidade visual27 decorrente de privação ou desalinhamento visual durante o período crítico do desenvolvimento. O tratamento pode incluir oclusão ocular (uso de tampão), penalização óptica ou acompanhamento de exercícios específicos, sempre sob supervisão médica.

Em adultos, a ortóptica28 também pode auxiliar na reabilitação de distúrbios de motilidade ocular decorrentes de doenças neurológicas, como paralisias oculomotoras após acidente vascular cerebral30 (AVC) ou traumatismo31 cranioencefálico.

No Brasil, o ortoptista32 atua em colaboração com o oftalmologista10, especialmente em serviços especializados em estrabismo14 e visão12 binocular. A atuação ocorre geralmente em equipe multidisciplinar, sob coordenação médica quando há necessidade de diagnóstico1 ou decisão terapêutica33 cirúrgica.

A ortóptica28 é, portanto, complementar à oftalmologia, com ênfase na funcionalidade motora e binocular dos olhos2.

Quais profissionais estão habilitados para exercer cada uma dessas atividades?

Na oftalmologia, apenas médicos formados em medicina, com residência médica reconhecida e registro no Conselho Regional de Medicina, podem exercer plenamente a especialidade. São os únicos legalmente habilitados a realizar diagnósticos médicos, prescrever medicamentos e indicar ou executar cirurgias oculares.

Na optometria, os profissionais são optometristas com formação técnica ou superior na área. Sua atuação restringe-se à avaliação refrativa e à prescrição de correções ópticas, sem autorização para diagnóstico1 médico ou tratamento farmacológico de doenças.

Na ortóptica28, os profissionais são ortoptistas com formação específica na área. Eles realizam avaliação funcional e terapias visuais complementares, geralmente integrados a serviços oftalmológicos.

Em termos práticos, o oftalmologista10 é o responsável pelo diagnóstico1 e tratamento médico das doenças oculares; o optometrista atua principalmente na correção óptica dos erros refrativos; e o ortoptista32 dedica-se à reabilitação dos distúrbios de motilidade ocular e visão12 binocular.

Como se dá a formação dos profissionais habilitados para exercer cada uma dessas atividades?

Para se tornar oftalmologista10 no Brasil, é necessário concluir a graduação em medicina (seis anos), seguida de residência médica em oftalmologia (três anos) em programa credenciado. Após a residência, o médico pode obter o título de especialista por meio de prova específica do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Essa formação inclui treinamento clínico, cirúrgico e em exames complementares de alta complexidade.

A formação em optometria pode ocorrer por meio de cursos técnicos ou bacharelados reconhecidos pelo Ministério da Educação. Os cursos superiores costumam abranger anatomia ocular, fisiologia34 da visão12, óptica, refração e fundamentos de saúde13 visual, sem formação médica ou cirúrgica.

Já a formação em ortóptica28 pode ocorrer por meio de graduação específica ou cursos de especialização reconhecidos. Inclui treinamento em avaliação de estrabismo14, testes de visão12 binocular, terapias visuais e acompanhamento de pacientes pediátricos e adultos com distúrbios motores oculares.

Em conclusão, oftalmologia, optometria e ortóptica28 são áreas distintas, com níveis de formação e escopos de atuação diferentes. Compreender essas diferenças é fundamental para que o paciente procure o profissional adequado para cada necessidade, seja para diagnóstico1 e tratamento médico, correção óptica ou reabilitação funcional da visão12.

Veja também sobre "O que é ortóptica28", "Fundo de olho21 ou fundoscopia" e "Cirurgia refrativa".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

ABCMED, 2026. Diferenças entre Oftalmologia, Optometria e Ortóptica. Disponível em: <https://abc.cxpass.net/p/saude-dos-olhos/1499745/diferencas-entre-oftalmologia-optometria-e-ortoptica.htm>. Acesso em: 17 fev. 2026.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
2 Olhos:
3 Miopia: Incapacidade para ver de forma clara objetos que se encontram distantes do olho.Origina-se de uma alteração dos meios de refração do olho, alteração esta que pode ser corrigida com o uso de lentes especiais, e mais recentemente com o uso de cirurgia a laser.
4 Hipermetropia: Transtorno ocular em que existe uma dificuldade para ver objetos de perto. Origina-se de uma alteração dos meios de refração do olho, alteração esta que pode ser corrigida com o uso de lentes especiais e, mais recentemente, com o uso de cirurgia a laser.
5 Astigmatismo: Defeito de curvatura nas superfícies de refração do olho que produz transtornos de acuidade visual.
6 Presbiopia: Alteração da visão associada ao envelhecimento. Neste distúrbio existe uma maior rigidez do cristalino (órgão do olho que é responsável pela acomodação visual, ou seja, a propriedade que nos permite enxergar objetos próximos e distantes), que produz dificuldade para ver objetos próximos.
7 Catarata: Opacificação das lentes dos olhos (opacificação do cristalino).
8 Glaucoma: É quando há aumento da pressão intra-ocular e danos ao nervo óptico decorrentes desse aumento de pressão. Esses danos se expressam no exame de fundo de olho e por alterações no campo de visão.
9 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Oftalmologista: Médico especializado em diagnosticar e tratar as doenças que acometem os olhos. Podem prescrever óculos de grau e lentes de contato.
11 Retinografia: É uma fotografia da retina ou do nervo óptico que é feita com auxílio do retinógrafo. As principais indicações são para diagnóstico e acompanhamento das doenças vítreo retinianas, glaucoma e doenças do nervo óptico. O exame deve ser feito com a pupila dilatada e demora cerca de 5 a 10 minutos.
12 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
13 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
14 Estrabismo: Desvio da posição de um ou ambos os globos oculares, secundária a uma alteração no sistema de músculos, tendões e nervos encarregados de dar aos olhos o movimento normal.
15 Olho: s. m. (fr. oeil; ing. eye). Órgão da visão, constituído pelo globo ocular (V. este termo) e pelos diversos meios que este encerra. Está situado na órbita e ligado ao cérebro pelo nervo óptico. V. ocular, oftalm-. Sinônimos: Olhos
16 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
17 Retinopatia diabética: Dano causado aos pequenos vasos da retina dos diabéticos. Pode levar à perda da visão. Retinopatia não proliferativa ou retinopatia background Caracterizada por alterações intra-retinianas associadas ao aumento da permeabilidade capilar e à oclusão vascular que pode ou não ocorrer. São encontrados microaneurismas, edema macular e exsudatos duros (extravasamento de lipoproteínas). Também chamada de retinopatia simples.
18 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
19 Autoimunes: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
20 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
21 Fundo de olho: Fundoscopia, oftalmoscopia ou exame de fundo de olho é o exame em que se visualizam as estruturas do segmento posterior do olho (cabeça do nervo óptico, retina, vasos retinianos e coroide), dando atenção especialmente a região central da retina, denominada mácula. O principal aparelho utilizado pelo clínico para realização do exame de fundo de olho é o oftalmoscópio direto. O oftalmologista usa o oftalmoscópio indireto e a lâmpada de fenda.
22 Úlceras: Feridas superficiais em tecido cutâneo ou mucoso que podem ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
23 Córnea: Membrana fibrosa e transparente presa à esclera, constituindo a parte anterior do olho.
24 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
25 Retina: Parte do olho responsável pela formação de imagens. É como uma tela onde se projetam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico. Possui duas partes: a retina periférica e a mácula.
26 Conjuntivite: Inflamação da conjuntiva ocular. Pode ser produzida por alergias, infecções virais, bacterianas, etc. Produz vermelhidão ocular, aumento da secreção e ardor.
27 Acuidade visual: Grau de aptidão do olho para discriminar os detalhes espaciais, ou seja, a capacidade de perceber a forma e o contorno dos objetos.
28 Ortóptica: Ortóptica quer dizer visão correta, orto = correto e óptica = visão. A ortóptica é o ramo da oftalmologia que se ocupa da avaliação, medida dos desvios oculares e reeducação dos olhos em caso de problemas da visão binocular, como estrabismo, heteroforia, etc.
29 Ambliopia: Ambliopia ou “olho preguiçoso†é um termo oftalmológico usado para definir a baixa visão que não é corrigida com óculos. Isso quer dizer que a causa desse déficit não está especificamente no olho, mas sim na região cerebral que corresponde à visão e que não foi devidamente estimulada no momento certo (“o olho não aprende a verâ€). Afeta 1 a 2% da população, sendo a principal causa de baixa visão nas crianças. É um problema que pode passar despercebido pela criança ou pelos pais, por isso as triagens visuais para as crianças são tão importantes.
30 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
31 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
32 Ortoptista: Profissional da ortóptica, que é um ramo auxiliar da oftalmologia que trata de distúrbios e defeitos da visão sensorial e motora. O ortoptista procura corrigir as anomalias da visão sem recorrer à cirurgia, utilizando-se de métodos de fisioterapia ocular, de exercícios, de equipamentos e ferramentas de estimulação sensorial, como lentes prismáticas e filtros.
33 Terapêutica: Terapia, tratamento de doentes.
34 Fisiologia: Estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
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