Zonulina intestinal: o que é e para que serve?
A zonulina é uma proteína envolvida na regulação da permeabilidade1 intestinal e na integridade da barreira que separa o conteúdo do intestino da circulação2 sanguínea. Alterações nessa via têm sido estudadas em doenças como a doença celíaca e outras condições inflamatórias e imunomediadas.
A dosagem de zonulina possui limitações e não é recomendada como exame diagnóstico3 de rotina. Quando alterada, o tratamento consiste em controlar a doença de base e adotar medidas que favoreçam a saúde4 intestinal, já que não existem terapias aprovadas para reduzir especificamente a zonulina.
- O que é zonulina intestinal?
- Como age a zonulina intestinal?
- O que pode aumentar a zonulina?
- Como é feita a avaliação da zonulina intestinal?
- Existe tratamento para alterações da zonulina?
O que é zonulina intestinal?
A zonulina intestinal é uma proteína participa da regulação da permeabilidade1 da barreira intestinal e pode ser liberada por células5 do epitélio6 do intestino delgado7. Sua principal função é controlar a abertura e o fechamento das junções de oclusão (tight junctions), estruturas que mantêm as células5 da mucosa intestinal8 unidas.
Essas junções atuam como uma barreira seletiva, permitindo a absorção de nutrientes, água e eletrólitos9, ao mesmo tempo em que limitam a passagem de microrganismos, toxinas10 e outras substâncias potencialmente nocivas para a circulação2 sanguínea.
Leia sobre "Síndrome11 da permeabilidade1 intestinal", "Disbiose intestinal12" e "Probióticos13 e Prebióticos".
Como age a zonulina intestinal?
Em condições normais, a zonulina participa da regulação fisiológica14 da permeabilidade1 intestinal. Quando sua liberação aumenta de forma persistente, ocorre maior abertura das junções de oclusão, favorecendo o aumento da permeabilidade1 intestinal. Como consequência, fragmentos15 de proteínas16 parcialmente digeridas, componentes bacterianos e outras moléculas presentes no lúmen17 intestinal podem atravessar a mucosa18 e estimular respostas inflamatórias e imunológicas.
A participação da zonulina está bem estabelecida na doença celíaca. Em indivíduos geneticamente predispostos, o contato com o glúten19 estimula sua liberação, facilitando a passagem de peptídeos do glúten19 pela mucosa intestinal8 e contribuindo para a resposta imunológica responsável pela inflamação20 e pela atrofia21 das vilosidades intestinais22.
Alterações na via da zonulina também foram descritas em doenças como diabetes mellitus23 tipo 1, doença inflamatória intestinal, síndrome11 do intestino irritável, obesidade24, doenças hepáticas25, alergias alimentares e algumas doenças autoimunes26, incluindo artrite reumatoide27 e esclerose múltipla28. Entretanto, fora da doença celíaca, ainda não está demonstrado que a zonulina seja a causa dessas doenças, podendo representar apenas um marcador associado ao processo inflamatório.
O que pode aumentar a zonulina?
A liberação de zonulina pode ser estimulada por diferentes fatores. Entre os mais bem estabelecidos está o contato da mucosa intestinal8 com a gliadina, uma das proteínas16 que compõem o glúten19. A resposta à gliadina ocorre também em pessoas sem doença celíaca, mas pode ser mais intensa e prolongada em indivíduos com a doença. Estudos experimentais também mostram que determinadas bactérias podem estimular a liberação de zonulina pelas células5 intestinais, e alterações na composição da microbiota29 podem estar envolvidas na ativação dessa via.
Outros fatores, como uso de anti-inflamatórios não esteroides, consumo de álcool, alterações da alimentação e estresse, têm sido associados ao comprometimento da barreira e ao aumento da permeabilidade1 intestinal, embora não esteja igualmente estabelecido que seus efeitos ocorram especificamente por meio do aumento da liberação de zonulina.
Como é feita a avaliação da zonulina intestinal?
A zonulina pode ser dosada no sangue30 ou nas fezes, mas os exames disponíveis apresentam limitações importantes. Muitos testes comerciais não identificam exclusivamente a zonulina, podendo detectar proteínas16 estruturalmente semelhantes. Além disso, não existem valores de referência universalmente aceitos nem evidências suficientes para recomendar seu uso rotineiro.
Assim, a dosagem de zonulina não deve ser utilizada isoladamente para diagnosticar aumento da permeabilidade1 intestinal ou outras doenças, devendo sua interpretação ser sempre integrada à história clínica e aos demais exames.
Existe tratamento para alterações da zonulina?
Não existe tratamento específico para reduzir a zonulina. A abordagem consiste em tratar a doença responsável pela alteração da permeabilidade1 intestinal.
Na doença celíaca, a exclusão rigorosa do glúten19 da dieta costuma restaurar gradualmente a integridade da mucosa intestinal8. Nas demais situações, o tratamento deve ser direcionado à condição de base. Medidas como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e moderação do consumo de álcool podem contribuir para a saúde4 intestinal de maneira geral, mas não constituem tratamentos específicos para reduzir a zonulina.
Embora existam medicamentos capazes de modular essa via em investigação, nenhum foi aprovado para uso rotineiro na prática clínica.
Veja também sobre "10 mitos nutricionais que precisam ser abandonados", "Psiquiatria nutricional" e "Bactérias do Bem".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Harvard Health Publishing e da Canadian Digestive Health Foundation.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.











