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Hemossiderose: quando o ferro em excesso pode comprometer pulmões, fígado e coração

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A hemossiderose1 não é uma doença em si, mas uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de ferro nos tecidos do organismo, sob a forma de hemossiderina, um pigmento derivado da degradação da hemoglobina2.

Trata-se de um fenômeno que pode ocorrer de forma localizada ou sistêmica, geralmente associado à sobrecarga de ferro secundária a transfusões sanguíneas repetidas, hemorragias3 alveolares recorrentes, hemólise4 crônica ou outras condições que alteram o metabolismo5 do ferro.

O reconhecimento precoce da causa e o manejo adequado são fundamentais para prevenir complicações e preservar a função dos órgãos acometidos.

O que é a hemossiderose1?

A hemossiderose1 é definida como o depósito anormal de hemossiderina nos tecidos, especialmente no fígado8, baço9, medula óssea10, pulmões11 e sistema reticuloendotelial. Diferentemente da hemocromatose6, que é uma doença caracterizada por sobrecarga de ferro com deposição predominante em células12 parenquimatosas e consequente lesão13 tecidual progressiva, a hemossiderose1 caracteriza-se, inicialmente, pelo armazenamento do ferro principalmente em macrófagos14 e outras células12 do sistema fagocitário mononuclear, nem sempre levando a lesões15 estruturais significativas. Entretanto, quando a sobrecarga de ferro é intensa ou prolongada, também pode ocorrer deposição em células12 parenquimatosas, com dano funcional dos órgãos.

A hemossiderina é um complexo insolúvel de armazenamento de ferro, formado a partir da degradação da ferritina, sendo visualizada ao microscópio por meio de colorações específicas.

Infográfico - Hemossiderose

Quais são as diferenças entre a hemocromatose6 e a hemossiderose1?

A hemocromatose6 e a hemossiderose1 são condições relacionadas ao acúmulo de ferro no organismo, mas apresentam diferenças importantes quanto à causa, ao mecanismo fisiopatológico e às manifestações clínicas. A hemocromatose6 hereditária é uma doença genética, geralmente causada por mutações no gene HFE, que levam ao aumento da absorção intestinal de ferro ao longo da vida. Como o organismo não possui um mecanismo fisiológico16 de excreção ativa do ferro, ocorre acúmulo progressivo principalmente em hepatócitos, células12 pancreáticas, miocárdio17, hipófise18 e outros órgãos, podendo resultar em cirrose19, diabetes mellitus20, cardiomiopatia, hipogonadismo e outras manifestações.

A hemossiderose1, por sua vez, corresponde ao acúmulo de ferro secundário a outras condições clínicas, como transfusões sanguíneas repetidas, hemólise4 crônica ou hemorragias3 alveolares recorrentes. O ferro inicialmente acumula-se predominantemente na forma de hemossiderina em macrófagos14 do sistema fagocitário mononuclear, sendo frequente o acometimento do fígado8, baço9, medula óssea10 e pulmões11, conforme a causa subjacente. Embora o dano tecidual costume ser menos intenso nas fases iniciais, sobrecargas prolongadas podem evoluir para lesão13 de órgãos semelhante à observada em outras formas de sobrecarga de ferro.

Quais são as causas da hemossiderose1?

As causas da hemossiderose1 são variadas e, em geral, relacionam-se ao aumento da quantidade de ferro disponível no organismo ou à liberação excessiva de ferro decorrente da destruição de hemácias21. Entre as principais causas estão as transfusões sanguíneas repetidas, comuns em pacientes com talassemias, anemia falciforme22, síndromes mielodisplásicas, anemia23 aplástica e outras doenças hematológicas crônicas, levando à sobrecarga transfusional de ferro.

Outra causa importante é a hemólise4 crônica, presente em doenças como anemia hemolítica24 autoimune25, esferocitose hereditária e hemoglobinopatias26.

Também merece destaque a hemossiderose1 pulmonar, especialmente a hemossiderose1 pulmonar idiopática27 e as síndromes de hemorragia28 alveolar difusa, caracterizadas por episódios repetidos de sangramento nos alvéolos29. Doenças autoimunes30, como vasculites associadas ao ANCA, síndrome31 de Goodpasture e lúpus32 eritematoso33 sistêmico34, também podem causar hemorragia28 alveolar recorrente e consequente hemossiderose1 pulmonar.

A exposição ocupacional prolongada a partículas de óxido de ferro pode provocar siderose pulmonar, uma pneumoconiose35 geralmente benigna, que deve ser diferenciada da hemossiderose1 pulmonar por apresentar fisiopatologia7 distinta.

Alterações hereditárias ou adquiridas do metabolismo5 do ferro também podem coexistir e contribuir para o desenvolvimento de sobrecarga de ferro.

Leia sobre "Reticulocitose", "Reticulocitopenia", "O fator Rh no sangue36" e "Leucemias" .

Qual é a fisiopatologia7 da hemossiderose1?

A fisiopatologia7 da hemossiderose1 resulta do desequilíbrio entre a entrada, a utilização, o armazenamento e a distribuição do ferro no organismo. Em condições normais, a homeostase do ferro é rigidamente controlada, principalmente pela hepcidina, hormônio37 produzido pelo fígado8 que regula a absorção intestinal e a liberação de ferro pelos macrófagos14.

Na hemossiderose1, ocorre aumento da disponibilidade de ferro, seja pela destruição aumentada de hemácias21, seja pelo aporte repetido de ferro por transfusões sanguíneas. O ferro liberado é inicialmente armazenado na forma de ferritina e, quando sua quantidade excede essa capacidade, transforma-se em hemossiderina, que se acumula principalmente em macrófagos14.

Quando a sobrecarga persiste, parte desse ferro pode depositar-se também em células12 parenquimatosas, favorecendo a formação de espécies reativas de oxigênio, estresse oxidativo, inflamação38, fibrose39 e perda progressiva da função dos órgãos.

Na hemossiderose1 pulmonar, microhemorragias alveolares repetidas levam ao extravasamento de hemácias21 para os alvéolos29. Essas hemácias21 são fagocitadas40 pelos macrófagos alveolares41, que passam a acumular hemossiderina, formando os chamados hemossiderófagos, um importante marcador diagnóstico42.

Quais são as características clínicas da hemossiderose1?

As manifestações clínicas variam conforme a causa, o órgão acometido e o grau de sobrecarga de ferro. Muitos pacientes permanecem assintomáticos nas fases iniciais. Na hemossiderose1 pulmonar predominam tosse, dispneia43, hemoptise44 (que pode estar ausente em parte dos pacientes, especialmente crianças), anemia ferropriva45 decorrente das perdas sanguíneas e fadiga46. Episódios repetidos podem evoluir para comprometimento respiratório progressivo.

Na hemossiderose1 hepática47 podem ocorrer hepatomegalia48, elevação de enzimas hepáticas49 e, em casos avançados, fibrose39 e cirrose19. Nos pacientes com sobrecarga transfusional importante, também pode haver comprometimento cardíaco e endócrino50, especialmente quando o excesso de ferro permanece sem tratamento por longo período.

Os sintomas51 frequentemente refletem tanto a doença de base quanto o acúmulo progressivo de ferro.

Como o médico diagnostica a hemossiderose1?

O médico baseia o diagnóstico42 da hemossiderose1 na associação entre história clínica, exame físico, exames laboratoriais, métodos de imagem e, quando necessário, avaliação histopatológica. Os exames laboratoriais incluem hemograma, ferritina sérica, saturação da transferrina, ferro sérico e avaliação da função hepática47.

É importante lembrar que a ferritina é uma proteína de fase aguda e pode estar elevada em processos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos52, devendo ser interpretada no contexto clínico. Além disso, a saturação da transferrina pode permanecer normal em algumas formas de hemossiderose1 secundária.

Na hemossiderose1 pulmonar, radiografia e tomografia computadorizada53 de tórax54 podem demonstrar infiltrados alveolares difusos. O lavado broncoalveolar55 evidencia macrófagos14 carregados de hemossiderina (hemossiderófagos), achado altamente sugestivo de hemorragia28 alveolar recorrente.

A biópsia56 tecidual permanece o método definitivo para demonstrar depósitos de hemossiderina, utilizando a coloração pelo azul da Prússia (reação de Perls). Em pacientes com suspeita de sobrecarga sistêmica de ferro, a ressonância magnética57 com técnicas de quantificação de ferro (T2 ou R2) tornou-se um método não invasivo amplamente utilizado para estimar a carga de ferro hepática47 e cardíaca, reduzindo a necessidade de biópsia56 em muitos casos.

A investigação diagnóstica deve sempre buscar identificar a doença responsável pela sobrecarga de ferro.

Como o médico trata a hemossiderose1?

O tratamento depende da causa, da extensão da sobrecarga de ferro e dos órgãos acometidos. O controle da doença de base é a principal medida terapêutica58, pois reduz a progressão do acúmulo de ferro. Nos pacientes com sobrecarga transfusional significativa, utilizam-se quelantes de ferro, como deferasirox, deferoxamina ou deferiprona, conforme a indicação clínica, a idade do paciente e o perfil de segurança de cada medicamento.

A flebotomia59 terapêutica58, amplamente utilizada na hemocromatose6 hereditária, geralmente não está indicada na hemossiderose1 secundária associada à anemia23 ou dependência transfusional, podendo ser considerada apenas em situações específicas nas quais não exista anemia23 significativa.

Na hemossiderose1 pulmonar idiopática27, os corticosteroides constituem o tratamento inicial para controlar a hemorragia28 alveolar. Nos casos recorrentes ou refratários60, podem ser necessários imunossupressores, como azatioprina, micofenolato de mofetila ou ciclofosfamida, especialmente quando há doença autoimune25 associada.

Também fazem parte do tratamento o manejo da anemia23, o acompanhamento da função dos órgãos acometidos e a monitorização periódica da sobrecarga de ferro.

Como evolui a hemossiderose1 e quais são as possíveis complicações? 

A evolução da hemossiderose1 depende da causa, da intensidade da sobrecarga de ferro e da rapidez com que o tratamento é iniciado. Quando a doença de base é controlada, é possível estabilizar o acúmulo de ferro e evitar a progressão do dano aos órgãos.

Entretanto, nos casos crônicos ou sem tratamento, podem ocorrer fibrose39 pulmonar, insuficiência respiratória crônica61, fibrose39 e cirrose19 hepáticas62, insuficiência hepática63, anemia23 crônica e, nos pacientes com sobrecarga sistêmica importante, cardiomiopatia, arritmias64, insuficiência cardíaca65 e alterações endócrinas, como diabetes mellitus20 e hipogonadismo.

O excesso de ferro também pode aumentar a suscetibilidade a algumas infecções66.

Leia também sobre "Metabolismo5 do ferro", "Ferritina - quando os níveis estão alterados" e "Microcitose".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Sociedade Portuguesa de Pediatria e da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular.

ABCMED, 2026. Hemossiderose: quando o ferro em excesso pode comprometer pulmões, fígado e coração. Disponível em: <https://abc.cxpass.net/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1510925/hemossiderose-quando-o-ferro-em-excesso-pode-comprometer-pulmoes-figado-e-coracao.htm>. Acesso em: 21 jul. 2026.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Hemossiderose: Acúmulo de hemossiderina nos tecidos. A hemossiderina é um pigmento ferroso, amarelo-escuro, encontrado em fagócitos e excretado pela urina, especialmente na hemocromatose e na hemossiderose.
2 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
3 Hemorragias: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
4 Hemólise: Alteração fisiológica ou patológica, com dissolução ou destruição dos glóbulos vermelhos do sangue causando liberação de hemoglobina. É também conhecida por hematólise, eritrocitólise ou eritrólise. Pode ser produzida por algumas anemias congênitas ou adquiridas, como consequência de doenças imunológicas, etc.
5 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
6 Hemocromatose: Distúrbio metabólico caracterizado pela deposição de ferro nos tecidos em virtude de seu excesso no organismo. Os locais em que o ferro mais se deposite são fígado, pâncreas, coração e hipófise.
7 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
8 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
9 Baço:
10 Medula Óssea: Tecido mole que preenche as cavidades dos ossos. A medula óssea apresenta-se de dois tipos, amarela e vermelha. A medula amarela é encontrada em cavidades grandes de ossos grandes e consiste em sua grande maioria de células adiposas e umas poucas células sangüíneas primitivas. A medula vermelha é um tecido hematopoiético e é o sítio de produção de eritrócitos e leucócitos granulares. A medula óssea é constituída de um rede, em forma de treliça, de tecido conjuntivo, contendo fibras ramificadas e preenchida por células medulares.
11 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
12 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
13 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
14 Macrófagos: É uma célula grande, derivada do monócito do sangue. Ela tem a função de englobar e destruir, por fagocitose, corpos estranhos e volumosos.
15 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
16 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
17 Miocárdio: Tecido muscular do CORAÇÃO. Composto de células musculares estriadas e involuntárias (MIÓCITOS CARDÍACOS) conectadas, que formam a bomba contrátil geradora do fluxo sangüíneo. Sinônimos: Músculo Cardíaco; Músculo do Coração
18 Hipófise:
19 Cirrose: Substituição do tecido normal de um órgão (freqüentemente do fígado) por um tecido cicatricial fibroso. Deve-se a uma agressão persistente, infecciosa, tóxica ou metabólica, que produz perda progressiva das células funcionalmente ativas. Leva progressivamente à perda funcional do órgão.
20 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
21 Hemácias: Também chamadas de glóbulos vermelhos, eritrócitos ou células vermelhas. São produzidas no interior dos ossos a partir de células da medula óssea vermelha e estão presentes no sangue em número de cerca de 4,5 a 6,5 milhões por milímetro cúbico, em condições normais.
22 Anemia falciforme: Doença hereditária que causa a má formação das hemácias, que assumem forma semelhante a foices (de onde vem o nome da doença), com maior ou menor severidade de acordo com o caso, o que causa deficiência do transporte de gases nos indivíduos que possuem a doença. É comum na África, na Europa Mediterrânea, no Oriente Médio e em certas regiões da Índia.
23 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
24 Anemia hemolítica: Doença hereditária que faz com que os glóbulos vermelhos do sangue se desintegrem no interior dos veios sangüíneos (hemólise intravascular) ou em outro lugar do organismo (hemólise extravascular). Pode ter várias causas e ser congênita ou adquirida. O tratamento depende da causa.
25 Autoimune: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
26 Hemoglobinopatias: Doenças genéticas que resultam de uma alteração na estrutura das cadeias de globinas em uma molécula de hemoglobina. As hemoglobinopatias mais comuns são as doenças falciformes e a talassemia.
27 Idiopática: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
28 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
29 Alvéolos: Pequenas bolsas poliédricas localizadas ao longo das paredes dos sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos terminais. A troca gasosa entre o ar alveolar e o sangue capilar pulmonar ocorre através das suas paredes. DF
30 Autoimunes: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
31 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
32 Lúpus: 1. É uma inflamação crônica da pele, caracterizada por ulcerações ou manchas, conforme o tipo específico. 2. Doença autoimune rara, mais frequente nas mulheres, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico. Nesta patologia, a defesa imunológica do indivíduo se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, podem confundir e retardar o diagnóstico. Lúpus exige tratamento cuidadoso por médicos especializados no assunto.
33 Eritematoso: Relativo a ou próprio de eritema. Que apresenta eritema. Eritema é uma vermelhidão da pele, devido à vasodilatação dos capilares cutâneos.
34 Sistêmico: 1. Relativo a sistema ou a sistemática. 2. Relativo à visão conspectiva, estrutural de um sistema; que se refere ou segue um sistema em seu conjunto. 3. Disposto de modo ordenado, metódico, coerente. 4. Em medicina, é o que envolve o organismo como um todo ou em grande parte.
35 Pneumoconiose: Reação fibrosa crônica dos pulmões à inalação de poeiras, marcada especialmente por perda da expansibilidade, fibrose e pigmentação. Ela recebe nomes diversos segundo o tipo de poeira inalada.
36 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
37 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
38 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
39 Fibrose: 1. Aumento das fibras de um tecido. 2. Formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo em determinado órgão ou tecido como parte de um processo de cicatrização ou de degenerescência fibroide.
40 Fagocitadas: Aquilo que passou por um processo de fagocitose, ou seja, por um processo de ingestão e destruição de partículas sólidas, como bactérias ou pedaços de tecido necrosado, realizado por células ameboides chamadas de fagócitos.
41 Macrófagos Alveolares: Fagócitos mononucleares, redondos e granulares, encontrados nos alvéolos dos pulmões. Estas células ingerem pequenas partículas inaladas, resultando em degradação e apresentação do antígeno para células imunocompetentes.
42 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
43 Dispnéia: Falta de ar ou dificuldade para respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente está associada a alguma doença cardíaca ou pulmonar.
44 Hemoptise: Eliminação de sangue vivo, vermelho rutilante, procedente das vias aéreas juntamente com a tosse. Pode ser manifestação de um tumor de pulmão, bronquite necrotizante ou tuberculose pulmonar.
45 Anemia Ferropriva: Anemia por deficiência de ferro. É o tipo mais comum de anemia. Há redução da quantidade total de ferro corporal até a exaustão das reservas de ferro. O fornecimento de ferro é insuficiente para atingir as necessidades de diferentes tecidos, incluindo as necessidades para a formação de hemoglobina e dos glóbulos vermelhos.
46 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
47 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
48 Hepatomegalia: Aumento anormal do tamanho do fígado.
49 Enzimas hepáticas: São duas categorias principais de enzimas hepáticas. A primeira inclui as enzimas transaminasas alaninoaminotransferase (ALT ou TGP) e a aspartato aminotransferase (AST ou TOG). Estas são enzimas indicadoras do dano às células hepáticas. A segunda categoria inclui certas enzimas hepáticas como a fosfatase alcalina (FA) e a gamaglutamiltranspeptidase (GGT) as quais indicam obstrução do sistema biliar, quer seja no fígado ou nos canais maiores da bile que se encontram fora deste órgão.
50 Endócrino: Relativo a ou próprio de glândula, especialmente de secreção interna; endocrínico.
51 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
52 Neoplásicos: Que apresentam neoplasias, ou seja, que apresentam processo patológico que resulta no desenvolvimento de neoplasma ou tumor. Um neoplasma é uma neoformação de crescimento anormal, incontrolado e progressivo de tecido, mediante proliferação celular.
53 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias†de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
54 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
55 Lavado broncoalveolar: O lavado broncoalveolar é um procedimento com objetivos diagnósticos e terapêuticos, utilizado para se obter amostras das vias aéreas menores, as quais não se podem observar através de um broncoscópio. Depois de ajustar o broncoscópio dentro da via respiratória inferior, o médico instila solução salina através desse instrumento. A seguir, aspira-se o líquido e com ele as células e algumas bactérias para o interior do broncoscópio. O exame dessas substâncias ao microscópio contribui para diagnosticar alguns tumores e infecções.
56 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
57 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
58 Terapêutica: Terapia, tratamento de doentes.
59 Flebotomia: Incisão (corte) ou sangria venosa.
60 Refratários: 1. Que resiste à ação física ou química. 2. Que resiste às leis ou a princípios de autoridade. 3. No sentido figurado, que não se ressente de ataques ou ações exteriores; insensível, indiferente, resistente. 4. Imune a certas doenças.
61 Insuficiência respiratória crônica: Disfunção respiratória prolongada ou persistente que resulta em oxigenação ou eliminação de dióxido de carbono em uma taxa insuficiente para satisfazer as necessidades do corpo, além de poder ser grave o suficiente para prejudicar ou ameaçar as funções dos órgãos vitais. Está associada a doenças pulmonares crônicas como enfisema, bronquite crônica ou fibrose pulmonar intersticial difusa. O corpo está sujeito a níveis de oxigênio drasticamente reduzidos ou a quantidades muito elevadas de dióxido de carbono.
62 Hepáticas: Relativas a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
63 Insuficiência hepática: Deterioração grave da função hepática. Pode ser decorrente de hepatite viral, cirrose e hepatopatia alcoólica (lesão hepática devido ao consumo de álcool) ou medicamentosa (causada por medicamentos como, por exemplo, o acetaminofeno). Para que uma insuficiência hepática ocorra, deve haver uma lesão de grande porção do fígado.
64 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
65 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
66 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
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