Vivemos mais, vivemos melhor? O que a expectativa de vida revela sobre a saúde da sociedade
O que é expectativa de vida1?
A expectativa de vida1 é um indicador estatístico que estima quantos anos, em média, uma pessoa pode esperar viver, considerando as condições de mortalidade2 de uma determinada população em um dado momento. Esse conceito é calculado com base em taxas de mortalidade2 específicas por idade, geralmente na forma de expectativa de vida1 ao nascer, mas também pode ser ajustado para diferentes faixas etárias, como a expectativa de vida1 aos 20, 40 ou 50 anos.
A expectativa de vida1 reflete condições socioeconômicas, ambientais, sanitárias e de acesso à saúde3, sendo um importante parâmetro para avaliar o desenvolvimento humano e a qualidade de vida de uma população. O cálculo4 utiliza tábuas de mortalidade2, que consideram a probabilidade de morte em cada idade, permitindo projeções sobre a longevidade média.
A expectativa de vida1 é frequentemente expressa como “expectativa de vida ao nascer”, que indica a média de anos que um recém-nascido viveria se as condições de mortalidade2 observadas no momento do nascimento permanecessem constantes ao longo de toda a vida. Esse indicador não prevê a duração da vida de um indivíduo específico, mas oferece uma visão5 geral do nível de saúde3 e bem-estar de uma população. Por exemplo, uma expectativa de vida1 de 75 anos significa que, em média, os indivíduos daquela população vivem até essa idade, havendo ampla variabilidade individual, influenciada por fatores genéticos, comportamentais e sociais.
Quais fatores influenciam a expectativa de vida1?
Diversos fatores influenciam a expectativa de vida1, incluindo políticas de saúde3 pública, o acesso à educação, as condições socioeconômicas, a alimentação, o saneamento básico, a qualidade e a abrangência do sistema de saúde3, além dos avanços científicos e tecnológicos em medicina.
Melhorias no saneamento e no acesso à água potável, por exemplo, reduziram de forma expressiva a mortalidade2 por doenças infecciosas, contribuindo para o aumento da longevidade. Aspectos como renda, grau de urbanização, segurança alimentar e desenvolvimento tecnológico exercem impacto direto sobre esse indicador.
A redução da mortalidade infantil6 é um fator particularmente relevante, pois óbitos precoces reduzem de forma significativa a média populacional. Além disso, há influência crescente de fatores relacionados ao estilo de vida, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo7 e padrões alimentares inadequados, bem como de condições ambientais, como poluição do ar e efeitos das mudanças climáticas.
No Brasil, a desigualdade social e regional exerce forte influência, com diferenças expressivas entre estados com diferentes níveis de desenvolvimento e vulnerabilidade socioeconômica. Violência, acidentes e doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes mellitus8 e hipertensão arterial9, também contribuem para a redução da expectativa de vida1 em determinados grupos populacionais.
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Como a expectativa de vida1 evoluiu ao longo da história?
Historicamente, a expectativa de vida1 global passou por uma transformação profunda. Antes da Revolução Industrial, no século XVIII, a expectativa de vida1 média era inferior a 31 anos, principalmente em razão das elevadas taxas de mortalidade infantil6, da ampla disseminação de doenças infecciosas e da ausência de cuidados médicos eficazes. No século XIX, avanços como a vacinação, a consolidação das medidas de higiene pública e, posteriormente, a introdução dos antibióticos (com o primeiro uso clínico da penicilina ocorrendo em 1941), começaram a modificar esse cenário.
No século XX, a expectativa de vida1 global aumentou de forma expressiva, alcançando cerca de 66 anos por volta do ano 2000. No Brasil, de acordo com dados do IBGE, a expectativa de vida1 ao nascer era de aproximadamente 52,5 anos em 1960, aumentando para cerca de 74,8 anos em 2020, impulsionada por expansão da atenção primária à saúde3, programas de imunização10 em larga escala, melhorias nutricionais e redução da mortalidade infantil6. O controle de doenças como varíola e poliomielite11 representou marcos importantes nesse processo.
Apesar desses avanços, persistem desigualdades significativas, tanto entre países quanto dentro de um mesmo país, com nações desenvolvidas apresentando expectativas de vida mais elevadas do que aquelas em desenvolvimento.
Qual é a expectativa de vida1 no mundo e em alguns países?
Em 2023, de acordo com dados do site Our World in Data, a expectativa de vida1 global situava-se em torno de 73 anos, com variações expressivas entre diferentes países e regiões.
O Japão destaca-se pela elevada longevidade, com expectativa de vida1 aproximada de 84,7 anos, resultado de uma combinação de dieta tradicional equilibrada, acesso universal aos serviços de saúde3, baixo índice de violência e forte cultura de prevenção.
Nos Estados Unidos, a expectativa de vida1 gira em torno de 79,3 anos, influenciada negativamente por fatores como obesidade12, desigualdades no acesso à saúde3 e maior prevalência13 de mortes por causas externas.
Na China, a expectativa de vida1 apresentou crescimento acelerado, passando de 43,7 anos em 1960 para cerca de 78 anos em 2023, refletindo o rápido desenvolvimento econômico e investimentos progressivos em saúde3 pública.
Quais são as repercussões sociais do aumento da expectativa de vida1?
O aumento da expectativa de vida1 tem importantes repercussões sociais, sendo o envelhecimento populacional uma das mais relevantes. Esse fenômeno impõe desafios aos sistemas de previdência social, saúde3 e ao mercado de trabalho. Com mais pessoas vivendo até idades avançadas, os sistemas previdenciários passam a enfrentar maior pressão financeira, uma vez que os benefícios precisam ser mantidos por períodos mais prolongados. No Brasil, o aumento da longevidade tem sido um dos principais fatores que impulsionam debates e reformas previdenciárias voltadas à sustentabilidade do sistema.
Além disso, o envelhecimento populacional demanda maior organização dos serviços de saúde3 para o manejo de doenças crônicas, como demências, diabetes mellitus8 e doenças cardiovasculares14, cuja prevalência13 aumenta com a idade. Embora a expectativa de vida1 esteja em elevação, o principal desafio contemporâneo é assegurar que os anos adicionais sejam vividos com qualidade, preservando autonomia funcional, bem-estar físico e saúde3 mental.
Do ponto de vista social, o aumento da longevidade pode fortalecer relações intergeracionais, com maior convivência entre gerações. Entretanto, também pode ampliar desigualdades, já que populações socialmente vulneráveis tendem a envelhecer com maior carga de doenças e menor acesso a cuidados adequados.
Até quantos anos pode chegar a expectativa de vida1?
As projeções futuras da expectativa de vida1 variam conforme o cenário considerado. Estudos recentes indicam que, até 2050, a expectativa de vida1 global pode aumentar em aproximadamente 4,9 anos para homens e 4,2 anos para mulheres, atingindo médias próximas de 78 e 82 anos, respectivamente. Esse avanço, contudo, será acompanhado por desafios importantes, como o aumento da prevalência13 de doenças crônicas, a necessidade de sistemas de saúde3 mais eficientes e os impactos do envelhecimento populacional.
Em países desenvolvidos, como o Japão, alguns especialistas estimam que a expectativa de vida1 possa se aproximar dos 90 anos até o final do século, impulsionada por avanços em medicina preventiva, terapias personalizadas, inteligência artificial aplicada à saúde3 e possíveis progressos em medicina regenerativa. Por outro lado, fatores como mudanças climáticas, resistência antimicrobiana, crises sanitárias e persistentes desigualdades sociais podem limitar esses ganhos, especialmente em países de baixa e média renda.
No Brasil, a expectativa de vida1 tende a continuar aumentando com a ampliação do acesso à saúde3 e a redução das desigualdades, embora seja improvável alcançar níveis semelhantes aos do Japão sem investimentos estruturais consistentes e políticas públicas de longo prazo.
Do ponto de vista teórico, há hipóteses de que o limite biológico máximo da vida humana situe-se entre 120 e 150 anos, mas fatores sociais, econômicos e ambientais devem manter a expectativa média muito abaixo desse patamar no futuro previsível.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites Brasil Escola, Agência IBGE e Our World in Data.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.










