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Como prevenir o câncer de próstata

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O câncer1 de próstata2

A próstata2 é uma glândula3 localizada abaixo da bexiga4 masculina e que envolve a uretra5. Ela produz parte do líquido seminal6, responsável por nutrir e transportar os espermatozoides7.

O câncer1 de próstata2 é um dos tipos mais comuns de câncer1 entre os homens, especialmente com o avanço da idade. É o segundo tipo de câncer1 mais frequente em homens no Brasil, atrás apenas do câncer1 de pele8 não melanoma9. Apesar de sua alta prevalência10, a maioria dos casos apresenta crescimento lento e comportamento indolente.

Estudos de autópsia11 mostram que uma grande proporção de homens idosos apresenta focos microscópicos12 de câncer1 de próstata2, muitas vezes sem relevância clínica, o que explica a ideia popular de que muitos homens “terão” a doença ao longo da vida. No entanto, isso não significa necessariamente doença clinicamente significativa ou que necessite tratamento.

Alguns tumores crescem lentamente e podem ser acompanhados com segurança (estratégia conhecida como vigilância ativa). Outros são mais agressivos e podem exigir tratamento com cirurgia, radioterapia13, terapia hormonal (privação androgênica), quimioterapia14 ou terapias sistêmicas modernas.

Veja sobre "Câncer1 de próstata2 - quando agendar uma consulta" e "Sonda vesical15" e "Incontinência urinária16".

Como prevenir o câncer1 de próstata2?

Nenhuma medida previne de forma absoluta o câncer1 de próstata2, mas várias estratégias ajudam a reduzir o risco e, principalmente, a possibilitar o diagnóstico17 precoce, quando as chances de cura são maiores. A prevenção envolve tanto hábitos de vida saudáveis quanto a discussão individualizada sobre rastreamento.

De forma geral, recomenda-se manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e grãos integrais, com menor consumo de carnes processadas e gorduras saturadas18, pois esses hábitos estão associados a menor risco de diversos tipos de câncer1. Manter um peso adequado também é importante, já que a obesidade19 está relacionada a formas mais agressivas de câncer1 de próstata2.

A prática regular de atividade física contribui para o controle do peso e melhora o metabolismo20 hormonal e inflamatório, fatores que podem influenciar o desenvolvimento da doença. Evitar o tabagismo é essencial, pois o cigarro está associado a maior risco de câncer1 em geral e pode estar relacionado a formas mais agressivas de câncer1 de próstata2. O consumo de álcool deve ser moderado, já que o excesso também se associa ao aumento do risco de câncer1.

A exposição ocupacional a substâncias químicas potencialmente carcinogênicas deve ser minimizada com o uso adequado de equipamentos de proteção individual, especialmente em ambientes industriais.

Além dessas medidas gerais, existem estratégias específicas relacionadas ao câncer1 de próstata2, principalmente no que diz respeito ao rastreamento.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que o rastreamento seja discutido individualmente, geralmente a partir dos 50 anos para homens de risco habitual. Para aqueles com maior risco (como homens com histórico familiar de câncer1 de próstata2 em parentes de primeiro grau ou homens negros) essa discussão pode começar por volta dos 45 anos. Essa abordagem compartilhada considera benefícios e riscos do rastreamento, incluindo o risco de sobrediagnóstico21 e sobretratamento.

Os principais exames utilizados são o PSA (antígeno22 prostático específico) e o toque retal. O PSA é uma proteína produzida pelas células23 da próstata2 e detectável no sangue24. O exame é simples, feito a partir de uma amostra sanguínea. O PSA é utilizado para auxiliar na detecção precoce do câncer1 de próstata2, no acompanhamento de pacientes já diagnosticados e na avaliação de outras condições prostáticas, como hiperplasia25 prostática benigna e prostatite26.

Seus valores não são específicos para câncer1 e devem sempre ser interpretados no contexto clínico. Isso porque níveis elevados de PSA não significam necessariamente câncer1, podendo ocorrer em situações como infecções27 urinárias, prostatite26, manipulação prostática recente ou até após atividade física intensa.

Valores de referência variam conforme a idade, mas, de forma geral, consideram-se limites aproximados: até 2,5 ng/mL para homens até 50 anos; até 3,5 ng/mL entre 50 e 59 anos; até 4,5 ng/mL entre 60 e 69 anos; e até 6,5 ng/mL acima de 70 anos. No entanto, atualmente valoriza-se mais a tendência de elevação (velocidade do PSA), a densidade do PSA e outros marcadores complementares do que um valor isolado.

Já o toque retal é um exame clínico em que o médico avalia a próstata2 por meio da palpação28 através do reto29. É um procedimento rápido, geralmente indolor, embora possa causar leve desconforto. Ele permite identificar alterações como endurecimento, assimetria ou nódulos, que podem não ser detectados apenas pelo PSA.

Quanto ao uso de suplementos, não há evidências consistentes que recomendem o uso rotineiro de vitaminas ou substâncias como estratégia de prevenção do câncer1 de próstata2. Embora compostos como o licopeno e a vitamina30 D tenham sido estudados, os resultados são inconclusivos. Além disso, alguns suplementos, como altas doses de vitamina30 E ou selênio, já foram associados a aumento de risco em estudos clínicos. Portanto, qualquer suplementação31 deve ser feita apenas com orientação médica.

Convivendo com o câncer1 de próstata2

Mesmo adotando medidas preventivas, o câncer1 de próstata2 pode ocorrer. Na maioria dos casos, quando diagnosticado precocemente, o tratamento é eficaz e pode levar à cura.

Após o tratamento, é comum que o paciente experimente alívio, mas também preocupação com a possibilidade de recidiva32. O acompanhamento regular é fundamental e faz parte do cuidado oncológico a longo prazo. Em alguns casos, a doença pode não ser completamente erradicada, exigindo tratamento contínuo ou vigilância. A vida após o câncer1 envolve retomar atividades habituais e manter cuidados com a saúde33.

O seguimento clínico geralmente inclui dosagens periódicas de PSA e avaliação médica regular. A periodicidade dos exames varia conforme o risco individual e o tipo de tratamento realizado. O toque retal pode ser mantido em situações específicas, especialmente quando a próstata2 não foi removida.

As estratégias para reduzir o risco de recidiva32 incluem os mesmos princípios adotados na prevenção inicial, com foco em estilo de vida saudável e acompanhamento médico adequado. Caso ocorra recidiva32, o tratamento dependerá da localização da doença, dos tratamentos prévios e das condições clínicas do paciente, podendo incluir novas abordagens locais ou sistêmicas.

Leia também sobre "Cirurgia da próstata2", "Impotência34 sexual", "Prótese35 peniana" e "Radioterapia13".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Oncoguia e do Instituto Vencer o Câncer.

ABCMED, 2026. Como prevenir o câncer de próstata. Disponível em: <https://abc.cxpass.net/p/saude-do-homem/1501815/como-prevenir-o-cancer-de-prostata.htm>. Acesso em: 23 mar. 2026.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
3 Glândula: Estrutura do organismo especializada na produção de substâncias que podem ser lançadas na corrente sangüínea (glândulas endócrinas) ou em uma superfície mucosa ou cutânea (glândulas exócrinas). A saliva, o suor, o muco, são exemplos de produtos de glândulas exócrinas. Os hormônios da tireóide, a insulina e os estrógenos são de secreção endócrina.
4 Bexiga: Órgão cavitário, situado na cavidade pélvica, no qual é armazenada a urina, que é produzida pelos rins. É uma víscera oca caracterizada por sua distensibilidade. Tem a forma de pêra quando está vazia e a forma de bola quando está cheia.
5 Uretra: É um órgão túbulo-muscular que serve para eliminação da urina.
6 Líquido seminal: Líquido seminal é um líquido pré-ejaculatório, que limpa o canal da uretra, neutralizando o pH e matando possíveis micro-organismos, para que o esperma não seja contaminado.
7 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
8 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
9 Melanoma: Neoplasia maligna que deriva dos melanócitos (as células responsáveis pela produção do principal pigmento cutâneo). Mais freqüente em pessoas de pele clara e exposta ao sol.Podem derivar de manchas prévias que mudam de cor ou sangram por traumatismos mínimos, ou instalar-se em pele previamente sã.
10 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
11 Autópsia: 1. Em medicina legal, necropsia ou autópsia é o exame minucioso de um cadáver, realizado por especialista qualificado, para determinar o momento e a causa da morte. 2. Exame, inspeção de si próprio. No sentido figurado, é uma análise minuciosa; crítica severa.
12 Microscópicos: 1. Relativo à microscopia ou a microscópio. 2. Que se realiza com o auxílio do microscópio. 3. Visível somente por meio do microscópio. 4. Muito pequeno, minúsculo.
13 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
14 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
15 Vesical: Relativo à ou próprio da bexiga.
16 Incontinência urinária: Perda do controle da bexiga que provoca a passagem involuntária de urina através da uretra. Existem diversas causas e tipos de incontinência e muitas opções terapêuticas. Estas vão desde simples exercícios de fisioterapia até complicadas cirurgias. As mulheres são mais freqüentemente acometidas por este problema.
17 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
18 Gorduras saturadas: Elas são encontradas principalmente em produtos de origem animal. Em temperatura ambiente, apresentam-se em estado sólido. Estão nas carnes vermelhas e brancas (principalmente gordura da carne e pele das aves e peixes), leite e seus derivados integrais (manteiga, creme de leite, iogurte, nata) e azeite de dendê.
19 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
20 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
21 Sobrediagnóstico: Diagnóstico de uma doença que nunca provocará sintomas ou a morte de um(a) paciente.
22 Antígeno: 1. Partícula ou molécula capaz de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substância que, introduzida no organismo, provoca a formação de anticorpo.
23 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
24 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
25 Hiperplasia: Aumento do número de células de um tecido. Pode ser conseqüência de um estímulo hormonal fisiológico ou não, anomalias genéticas no tecido de origem, etc.
26 Prostatite: Quadro de inflamação da próstata.
27 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
28 Palpação: Ato ou efeito de palpar. Toque, sensação ou percepção pelo tato. Em medicina, é o exame feito com os dedos ou com a mão inteira para explorar clinicamente os órgãos e determinar certas características, como temperatura, resistência, tamanho etc.
29 Reto: Segmento distal do INTESTINO GROSSO, entre o COLO SIGMÓIDE e o CANAL ANAL.
30 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
31 Suplementação: Que serve de suplemento para suprir o que falta, que completa ou amplia.
32 Recidiva: 1. Em medicina, é o reaparecimento de uma doença ou de um sintoma, após período de cura mais ou menos longo; recorrência. 2. Em direito penal, significa recaída na mesma falta, no mesmo crime; reincidência.
33 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
34 Impotência: Incapacidade para ter ou manter a ereção para atividades sexuais. Também chamada de disfunção erétil.
35 Prótese: Elemento artificial implantado para substituir a função de um órgão alterado. Existem próteses de quadril, de rótula, próteses dentárias, etc.
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