Teste de DNA nas fezes: um novo método de detecção do câncer colorretal
O que é o teste de DNA nas fezes?
O teste de DNA nas fezes é um exame de rastreamento populacional, indicado para detectar sinais1 precoces de câncer2 colorretal e de pólipos3 avançados, antes do aparecimento de sintomas4. Seu princípio biológico baseia-se no fato de que células5 neoplásicas6 e pré-neoplásicas6 do cólon7 e do reto8 sofrem descamação9 contínua, liberando material genético alterado diretamente no lúmen10 intestinal, que é eliminado nas fezes.
Esse DNA contém mutações somáticas em genes relacionados à carcinogênese colorretal, como KRAS, APC e TP53, além de padrões anormais de metilação do DNA, que refletem alterações epigenéticas típicas do processo neoplásico11. Algumas versões do teste também avaliam marcadores de RNA, ampliando a sensibilidade para detecção de lesões12 biologicamente ativas.
Paralelamente, o exame inclui a pesquisa imunológica de hemoglobina13 humana, permitindo identificar sangramento microscópico14, muitas vezes imperceptível a olho15 nu. Diferentemente da pesquisa isolada de sangue16 oculto nas fezes, o teste de DNA fecal combina análise molecular com detecção imunológica, tornando-se mais abrangente e sensível, especialmente para tumores iniciais que nem sempre sangram de forma contínua, mas já liberam DNA alterado.
É importante ressaltar que o teste não estabelece diagnóstico17 definitivo, funcionando como uma ferramenta de triagem: resultados positivos indicam a necessidade de colonoscopia18, que permanece o exame confirmatório e terapêutico padrão.
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Como se processa o teste de DNA nas fezes?
O processo de realização do teste de DNA nas fezes é simples, seguro e predominantemente domiciliar, o que contribui significativamente para sua aceitação. Após prescrição médica, o paciente recebe um kit de coleta padronizado, geralmente enviado diretamente ao seu endereço ou retirado em laboratório credenciado.
O kit contém um dispositivo coletor adaptável ao vaso sanitário, frasco ou tubo para amostra, solução preservadora, materiais de identificação e instruções detalhadas. Não é necessário preparo intestinal, jejum, restrições alimentares ou suspensão de medicamentos, o que o diferencia de forma marcante da colonoscopia18. A coleta é feita durante uma evacuação habitual, obtendo-se uma amostra de fezes inteira, da qual porções específicas são destinadas à análise molecular e à pesquisa de sangue16 oculto.
Após a adição da solução conservante, a amostra é estabilizada para evitar degradação do DNA e enviada ao laboratório. O processamento envolve extração do DNA fecal, técnicas de amplificação molecular por PCR19, análise de marcadores de metilação e detecção imunológica de hemoglobina13 humana. Algoritmos validados integram esses dados, gerando um resultado classificado como positivo ou negativo. Em caso de positividade, a colonoscopia18 é formalmente indicada para investigação diagnóstica e possível tratamento.
De acordo com as diretrizes atuais, o teste deve ser repetido a cada três anos em indivíduos de risco médio, desde que o resultado seja negativo.
Para quem está indicado o teste de DNA nas fezes?
O teste de DNA nas fezes é indicado principalmente para adultos assintomáticos com risco médio para câncer2 colorretal. As principais diretrizes internacionais recomendam seu uso a partir dos 45 anos de idade, estendendo-se até aproximadamente 75 anos, podendo chegar aos 80–85 anos em indivíduos selecionados, de acordo com expectativa de vida20, comorbidades21 e estado funcional.
É uma opção especialmente útil para pessoas que recusam, postergam ou apresentam dificuldades logísticas para realizar colonoscopia18, como limitações de acesso, receio do procedimento ou contraindicações relativas à sedação22.
Entretanto, o teste não é indicado para indivíduos de alto risco, incluindo aqueles com história pessoal ou familiar significativa de câncer2 colorretal, adenomas avançados, síndromes genéticas hereditárias, doença inflamatória intestinal ou achados prévios relevantes em colonoscopias anteriores.
Também não deve ser utilizado em pacientes sintomáticos, como aqueles com sangramento retal, anemia ferropriva23, dor abdominal persistente ou perda de peso não intencional, situações que exigem avaliação diagnóstica direta e imediata por colonoscopia18.
Qual é o grau de certeza do teste de DNA nas fezes?
A acurácia do teste de DNA nas fezes é considerada elevada para a detecção de câncer2 colorretal, com sensibilidade em torno de 92–95%, segundo grandes estudos clínicos. Para adenomas avançados, a sensibilidade é menor, variando aproximadamente entre 40–50%, o que reflete a menor carga de DNA alterado nessas lesões12 quando comparadas aos tumores invasivos.
A especificidade do teste situa-se entre 87–94%, o que significa que uma parcela dos resultados positivos não será confirmada na colonoscopia18 subsequente, caracterizando falsos positivos. Já os falsos negativos, estimados em cerca de 5–8%, representam a principal limitação do método, pois podem atrasar o diagnóstico17 se o exame não for repetido no intervalo recomendado.
Comparado à pesquisa imunológica isolada de sangue16 oculto nas fezes, o teste de DNA fecal apresenta maior sensibilidade para câncer2, embora não substitua a colonoscopia18, que permanece o método mais completo para detecção e remoção de pólipos3.
Quando utilizado de forma regular, dentro de programas estruturados de rastreamento, o teste contribui para redução significativa da mortalidade24 por câncer2 colorretal, estimada entre 20–30%.
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Quais são os riscos e as possíveis complicações do teste de DNA nas fezes?
Os riscos associados ao teste de DNA nas fezes são mínimos, uma vez que se trata de um exame não invasivo, indolor e realizado fora do ambiente hospitalar. Não há risco de perfuração intestinal, sangramento, infecção25 ou complicações anestésicas, como pode ocorrer, embora raramente, com procedimentos endoscópicos.
Os principais impactos adversos são indiretos. Resultados falso-positivos podem gerar ansiedade e levar à realização de colonoscopias que, ao final, não confirmam doença relevante. Por outro lado, resultados falso-negativos podem oferecer uma falsa sensação de segurança, especialmente se o exame não for repetido conforme recomendado ou se surgirem sintomas4 posteriormente.
Por isso, é fundamental que o teste de DNA nas fezes seja compreendido como parte de uma estratégia contínua de rastreamento, e não como um exame isolado definitivo. A interpretação adequada dos resultados e o seguimento médico regular são essenciais para garantir sua segurança e eficácia clínica.
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic, da SBOC - Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e da U.S. National Library of Medicine.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.










