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Distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEM)

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O que é distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino (DAEM)?

É bastante conhecido o processo de menopausa2 na mulher, que ocorre por uma diminuição dos hormônios femininos. No entanto, pouco se fala sobre o fenômeno correspondente no homem, ou seja, a diminuição dos hormônios masculinos no processo de envelhecimento, popularmente conhecida como "andropausa".

Ao contrário do que se passa na mulher, o distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino não é um processo súbito nem universal. Apenas pouco mais de um terço dos homens acima dos 60 anos passa por esta condição.

Quais são as causas do distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino?

O distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino ocorre devido à diminuição da produção dos hormônios masculinos pelos testículos3, notadamente a testosterona. Parte desse processo dá-se por modificações ocorridas no sistema endócrino4, que ocorre de forma gradual e sutil. Há uma diminuição nos números das células5 Leydig (células intersticiais6 que produzem a testosterona) e na sua capacidade secretora, além de uma queda nos níveis de testosterona sérica total e livre.

Qual é o mecanismo fisiológico7 do distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino?

O mecanismo fisiológico7 desta progressiva deficiência dos hormônios produzidos pelos testículos3 é complexo e ainda não está totalmente compreendido. Na verdade, a andropausa no homem não pode ser comparada à menopausa2 na mulher. As mudanças que o homem experimenta são mais sutis do que as mudanças na mulher durante a menopausa2. Ademais, a função reprodutiva normal no homem depende também da secreção intermitente8 do hormônio9 luteínico e do hormônio9 folículo10 estimulante, liberado pela hipófise11.

Apesar da testosterona ser o inibidor primário da secreção do hormônio9 luteínico no homem e sua ação ser primariamente androgênica, ela possui outras funções que incluem a iniciação e manutenção da espermatogênese, a formação dos caracteres sexuais masculinos, a promoção da maturação sexual na puberdade e o controle da potência sexual. Também apresenta um efeito anabolizante, levando a um aumento da massa muscular. A grande maioria da testosterona está ligada à globulina12 e à albumina13 e somente 1 a 2% dela permanece livre e é biologicamente ativa. O declínio progressivo nos níveis de testosterona com a idade deve-se a uma diminuição da sua produção.

Existem múltiplas causas fisiológicas14 para a diminuição da produção de testosterona com o envelhecimento: algum grau de falência testicular, envelhecimento testicular, uma diminuição das células de Leydig15, disfunção na perfusão testicular e um aumento moderado nos níveis do hormônio9 luteínico. Existe uma grande variação individual nos níveis de testosterona entre idosos sadios e, dessa forma, nem todos os idosos apresentam hipogonadismo.

Quais são as principais características clínicas do distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino?

A deficiência de testosterona pode causar alterações de humor, cansaço, sensação de perda de energia, perda de massa óssea e massa muscular, diminuição da libido16 e disfunção erétil, além de doenças metabólicas e cardiovasculares, tais como diabetes tipo 217, obesidade18, hipertensão arterial19 e colesterol20 alto. Além disso, há provas consistentes de que a deficiência de testosterona tem influência significativa na piora dos níveis de glicose21 e lipídeos no sangue22. Os principais sintomas23 psicológicos são depressão, irritabilidade e dificuldade de concentração. Também está ligada à diminuição da massa óssea e muscular. A queda dos níveis desse hormônio9 no organismo masculino associada ao avanço da idade está ligada também a problemas que afetam a qualidade de vida, como a disfunção erétil e a falta de libido16.

Saiba mais sobre "Hipertensão arterial19", "Colesterol20 alto", "Diabetes Mellitus24" e "Obesidade18".

Como o médico diagnostica o distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino?

O diagnóstico25 do distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino deve basear-se nos sintomas23, nas eventuais alterações em determinados exames e na dosagem da testosterona no sangue22.

Como o médico trata o distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino?

A terapia de reposição hormonal pode reduzir os sinais26 do distúrbio androgênico1 do envelhecimento masculino. No entanto, ela só deve ser feita sob orientação médica, quando o homem apresenta sintomas23 e níveis baixos de testosterona no sangue22. Existem algumas contraindicações como, por exemplo, policitemia27 (distúrbio que resulta da multiplicação anormal de certas células sanguíneas28), câncer29 de mama30 no homem, câncer29 de próstata31 não tratado, sintomas23 urinários graves e apneia32 do sono grave. Quando o paciente faz uso de reposição hormonal, deve ser regularmente monitorado quanto a eventuais efeitos adversos.

Leia também sobre "Disfunção erétil", "Ejaculação33 precoce" e "Varicocele34".
ABCMED, 2016. Distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEM). Disponível em: <https://abc.cxpass.net/p/saude-do-homem/1282253/disturbio-androgenico-do-envelhecimento-masculino-daem.htm>. Acesso em: 30 set. 2026.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Androgênico: Relativo à androgenia e a androgênios. Androgênios são hormônios esteroides, controladores do crescimento dos órgãos sexuais masculinos. O hormônio natural masculino é a testosterona.
2 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
3 Testículos: Os testículos são as gônadas sexuais masculinas que produzem as células de fecundação ou espermatozóides. Nos mamíferos ocorrem aos pares e são protegidos fora do corpo por uma bolsa chamada escroto. Têm função de glândula produzindo hormônios masculinos.
4 Sistema Endócrino: Sistema de glândulas que liberam sua secreção (hormônios) diretamente no sistema circulatório. Em adição às GLÂNDULAS ENDÓCRINAS, o SISTEMA CROMAFIM e os SISTEMAS NEUROSSECRETORES estão inclusos.
5 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
6 Células Intersticiais: Grupo de células compreendendo FIBROBLASTOS, ADIPÓCITOS, células cartilaginosas, musculares lisas e ósseas.
7 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
8 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
9 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
10 Folículo: 1. Bolsa, cavidade em forma de saco. 2. Fruto simples, seco e unicarpelar, cuja deiscência se dá pela sutura que pode conter uma ou mais sementes (Ex.: fruto da magnólia).
11 Hipófise:
12 Globulina: Qualquer uma das várias proteínas globulares pouco hidrossolúveis de uma mesma família que inclui os anticorpos e as proteínas envolvidas no transporte de lipídios pelo plasma.
13 Albumina: Proteína encontrada no plasma, com importantes funções, como equilíbrio osmótico, transporte de substâncias, etc.
14 Fisiológicas: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
15 Células de Leydig: Células produtoras de esteróides no tecido intersticial do TESTÍCULO. São reguladas pelos HORMÔNIOS HIPOFISÁRIOS, pelo HORMÔNIO LUTEINIZANTE ou pelo hormônio estimulante das células intersticiais. Entre os ANDROGÊNIOS produzidos , o principal hormônio é a TESTOSTERONA.
16 Libido: Desejo. Procura instintiva do prazer sexual.
17 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
18 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
19 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
20 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
21 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
22 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
23 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
24 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
25 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
26 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
27 Policitemia: Alteração sanguínea caracterizada por grande aumento da quantidade de hemácias circulantes.
28 Células Sanguíneas: Células encontradas no líquido corpóreo circulando por toda parte do SISTEMA CARDIOVASCULAR.
29 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
30 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
31 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
32 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
33 Ejaculação: 1. Ato de ejacular. Expulsão vigorosa; forte derramamento (de líquido); jato. 2. Em fisiologia, emissão de esperma pela uretra no momento do orgasmo. 3. Por extensão de sentido, qualquer emissão. 4. No sentido figurado, fartura de palavras; arrazoado.
34 Varicocele: Dilatação venosa do cordão espermático. Em geral é assintomática e manifesta-se pelo aumento de tamanho da bolsa escrotal, mas podem ser dolorosas e causar infertilidade.
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