Síndrome HELLP: entenda os sintomas, o diagnóstico e os riscos dessa grave complicação da gravidez
A síndrome1 HELLP é uma grave complicação da gestação, geralmente associada à pré-eclâmpsia2, caracterizada por hemólise3, elevação das enzimas hepáticas4 e redução das plaquetas5. Sua origem está relacionada a disfunção placentária, lesão6 endotelial e ativação da coagulação7, podendo causar comprometimento materno e fetal significativo.
Os sintomas8 mais comuns incluem dor no lado direito do abdome9, náuseas10, vômitos11, cefaleia12 e hipertensão13. O tratamento exige internação, estabilização materna, uso de sulfato de magnésio quando indicado e, na maioria dos casos, realização do parto como medida definitiva.
- O que é síndrome1 HELLP?
- Quais são as causas da síndrome1 HELLP?
- Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome1 HELLP?
- Quais são as características clínicas da síndrome1 HELLP?
- Como o médico diagnostica a síndrome1 HELLP?
- Como o médico trata a síndrome1 HELLP?
O que é síndrome1 HELLP?
A Síndrome1 HELLP é uma condição médica grave e potencialmente fatal que ocorre durante a gravidez14 ou no período pós-parto, sendo considerada uma das formas mais graves das síndromes hipertensivas da gestação e frequentemente associada à pré-eclâmpsia2 grave.
Cerca de 70% dos casos ocorrem antes do parto e aproximadamente 30% surgem nas primeiras 48 horas após o nascimento do bebê, embora possa ocorrer mais tardiamente. Ela é mais comum em mulheres com hipertensão arterial15 ou pré-eclâmpsia2, mas até mesmo pacientes sem hipertensão13 significativa ou proteinúria16 evidente podem desenvolver a síndrome1.
O termo "HELLP" é um acrônimo em inglês formado pelas iniciais de Hemolysis (hemólise3), Elevated Liver Enzymes (elevação das enzimas hepáticas4) e Low Platelet Count (plaquetopenia17), que representam as três principais alterações características da doença. A síndrome1 foi descrita por Louis Weinstein, médico norte-americano, em 1982.
Quais são as causas da síndrome1 HELLP?
Embora as causas exatas da Síndrome1 HELLP ainda não sejam completamente compreendidas, ela está relacionada a alterações na placenta e a uma resposta materna anormal vascular18, inflamatória e imunológica. A maioria dos casos ocorre em mulheres com pré-eclâmpsia2 ou eclâmpsia19, mas a síndrome1 também pode surgir de forma isolada.
Acredita-se que uma placentação inadequada no início da gestação leve à liberação de substâncias que provocam lesão6 endotelial, inflamação20 sistêmica e ativação da coagulação7. Alterações na formação e no funcionamento da placenta podem causar redução da perfusão uteroplacentária, desencadeando estresse oxidativo e resposta inflamatória capazes de afetar o fígado21, os vasos sanguíneos22, as plaquetas5 e outros órgãos maternos.
Uma resposta imunológica materna inadequada ao tecido23 placentário também pode contribuir para o desenvolvimento da síndrome1. Além disso, há evidências de predisposição genética, uma vez que mulheres com histórico familiar de pré-eclâmpsia2, síndrome1 HELLP ou outras doenças hipertensivas da gestação apresentam risco aumentado.
Entre os principais fatores de risco estão:
- História prévia de síndrome1 HELLP
- Pré-eclâmpsia2
- Hipertensão arterial15 crônica
- Diabetes mellitus24
- Obesidade25
- Doenças autoimunes26
- Doença renal27 crônica
- Gestação múltipla
- Idade materna avançada
Leia sobre "Gravidez14 de alto risco", "Toxemia28 gravídica" e "Hipertensão13 na gravidez14".
Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome1 HELLP?
O substrato fisiopatológico da Síndrome1 HELLP é complexo e multifatorial, envolvendo disfunção endotelial generalizada, inflamação20 sistêmica, ativação da coagulação7 e lesão6 microvascular.
A fisiopatologia29 tem início com alterações na placenta que levam à liberação de fatores antiangiogênicos30, como o sFlt-1 (receptor solúvel do fator de crescimento endotelial vascular18), capazes de bloquear a ação de substâncias pró-angiogênicas, como o VEGF e o PlGF. Isso resulta em lesão6 endotelial difusa, vasoconstrição31, hipertensão arterial15 e aumento da permeabilidade32 vascular18.
A lesão6 endotelial favorece a formação de microtrombos na circulação33, especialmente nos pequenos vasos. Quando os eritrócitos34 atravessam esses vasos parcialmente obstruídos, sofrem fragmentação mecânica, produzindo uma anemia hemolítica35 microangiopática, caracterizada pela presença de esquizócitos no esfregaço de sangue36 periférico e pela elevação da lactato37 desidrogenase (LDH).
No fígado21, a obstrução da microcirculação provoca isquemia38 e lesão6 hepatocelular, resultando na elevação das aminotransferases, principalmente AST (TGO) e ALT (TGP). Nos casos mais graves podem ocorrer hematoma39 hepático subcapsular e ruptura hepática40, complicações associadas a elevada mortalidade41 materna.
Ao mesmo tempo, ocorre ativação e consumo de plaquetas5 na formação dos microtrombos, levando à trombocitopenia42. Em situações mais graves, a síndrome1 pode evoluir para coagulação7 intravascular43 disseminada (CIVD).
Todo esse processo é amplificado pela resposta inflamatória sistêmica e pelo aumento do estresse oxidativo.
Quais são as características clínicas da síndrome1 HELLP?
A síndrome1 HELLP geralmente surge após a 20ª semana de gestação, sendo mais frequente entre a 27ª e a 37ª semana, embora também possa ocorrer no período pós-parto.
Os sintomas8 costumam ser inespecíficos e podem dificultar o diagnóstico44 inicial. A manifestação mais característica é a dor no quadrante superior direito do abdome9 ou na região epigástrica, frequentemente descrita como dor abaixo das costelas45 do lado direito ou na “boca do estômago”. Também são comuns náuseas10, vômitos11, mal-estar, fadiga46 intensa e cefaleia12.
Outros sinais47 e sintomas8 incluem hipertensão arterial15, alterações visuais como visão48 turva ou escotomas49 luminosos, edema50, dispneia51, sangramentos decorrentes da trombocitopenia42 e, em alguns casos, icterícia52. A ausência de hipertensão13 significativa não exclui o diagnóstico44.
Nas fases iniciais, os sintomas8 podem ser confundidos com gastrite53, hepatite54 viral, doença da vesícula biliar55, gastroenterite56 ou outras condições clínicas comuns. Por esse motivo, a síndrome1 HELLP deve ser considerada em qualquer gestante ou puérpera57 com dor epigástrica ou em hipocôndrio58 direito associada a alterações laboratoriais compatíveis.
Confira no infográfico abaixo um resumo sobre a condição (clique sobre a imagem para visualizá-la ampliada). Continue lendo o artigo para saber sobre o diagnóstico44 e o tratamento.
Como o médico diagnostica a síndrome1 HELLP?
O diagnóstico44 da síndrome1 HELLP é baseado na combinação de achados clínicos e laboratoriais. O hemograma permite identificar a redução da contagem de plaquetas5 e sinais47 indiretos de hemólise3. Além disso, são solicitados exames laboratoriais para avaliação da função hepática40, incluindo AST (TGO), ALT (TGP), bilirrubinas59 e LDH. Os critérios laboratoriais clássicos incluem hemólise3, elevação das enzimas hepáticas4 e plaquetopenia17, embora existam diferentes sistemas de classificação, como os critérios de Tennessee e do Mississippi.
A hemólise3 pode ser evidenciada pela elevação da LDH, aumento da bilirrubina60 indireta, redução da haptoglobina e presença de esquizócitos no sangue36 periférico. A trombocitopenia42 geralmente corresponde a contagem de plaquetas5 inferior a 100.000/mm³, enquanto as aminotransferases costumam estar elevadas.
Exames complementares, como ultrassonografia61, tomografia computadorizada62 ou ressonância magnética63, podem ser necessários quando há suspeita de complicações hepáticas64, como hematoma39 subcapsular ou ruptura hepática40.
Como o médico trata a síndrome1 HELLP?
A síndrome1 HELLP é uma emergência65 obstétrica e requer internação hospitalar, geralmente em unidade de terapia intensiva66 ou em centro com suporte materno-fetal especializado. O tratamento tem como principais objetivos estabilizar a mãe, prevenir complicações e definir o momento mais seguro para o parto.
O sulfato de magnésio deve ser administrado para prevenção e tratamento de convulsões, independentemente da presença de eclâmpsia19. A hipertensão13 grave deve ser controlada com medicamentos anti-hipertensivos apropriados, como hidralazina, labetalol ou nifedipina.
Quando a idade gestacional é inferior a 34 semanas e as condições maternas e fetais permitem, recomenda-se a administração de corticosteroides antenatais, como betametasona ou dexametasona, para acelerar a maturação pulmonar fetal. O uso de corticosteroides com a finalidade de tratar especificamente a síndrome1 HELLP e aumentar a contagem plaquetária permanece controverso e não é recomendado rotineiramente pelas principais diretrizes.
A transfusão67 de concentrado de hemácias68 pode ser necessária em casos de anemia69 importante ou sangramento significativo. A transfusão67 de plaquetas5 é indicada principalmente quando há sangramento ativo, necessidade de procedimento invasivo ou contagens muito baixas de plaquetas5.
O tratamento definitivo da síndrome1 HELLP é o parto. A decisão sobre o momento e a via de parto depende da idade gestacional, da gravidade do quadro materno, das condições fetais e da resposta ao tratamento inicial.
Após o parto, a maioria das pacientes apresenta melhora progressiva dos parâmetros clínicos e laboratoriais ao longo de alguns dias, embora seja necessário acompanhamento rigoroso devido ao risco de complicações maternas e neonatais.
Veja mais em "Como é a cesárea", "Atonia uterina", "Baixo peso ao nascer" e "Morte fetal".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site do BMJ Best Practice.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.











